Ciência e Tecnologia

Avatar, A origem, Matrix, Shrek, Toy Story, WALL-E, UP – Altas Aventuras, Batman, Homem de Ferro, Homem-Aranha. O que esses e muitos outros filmes recentes têm em comum? Além de terem sido grandes sucessos de bilheteria, todos esses fizeram uso extensivo de recursos computacionais. Sem os avanços recentes na computação gráfica, tais filmes poderiam até ter sido feitos, mas certamente com resultados bem distintos. Em artigo na edição atual da revista Science, Robert Bridson e Christopher Batty, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, destacam que as cenas impressionantemente realistas no cinema de animação têm como base avanços na simulação de como objetos e fluidos se movem, colidem e quebram. A utilização da computação gráfica não se dá apenas em filmes de animação (ou desenhos animados), mas em produções com atores de carne e osso. Atualmente, são poucos os filmes que dispensam o seu uso.

As pesquisas em materiais e dispositivos nanométricos, como os usados em sensores e circuitos eletrônicos, acabam de ganhar um reforço no Rio de Janeiro. Foi instalado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT) o Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (Labnano). De acordo com o CBPF, o novo laboratório é o primeiro da região concebido e preparado para atender a demandas em nanotecnologia provenientes de centros de pesquisa públicos e privados e também de empresas. Deverá impulsionar as pesquisas na área de materiais nanoestruturados, com ênfase na produção de estruturas em escala nanométrica (bilionésima parte do metro), tais como sensores para aplicação em imageamento térmico e para diagnósticos médicos, entre outras finalidades.

Michal-KusiakEntre o Natal e o Ano Novo, uma marca histórica foi motivo de uma pequena celebração por parte de cientistas das agências espaciais europeia (ESA) e norte-americana (Nasa). No dia 26, o Observatório Solar e Heliosférico (Soho, na sigla em inglês), parceria entre as agências, descobriu seu cometa de número 2.000. O veículo espacial de 610 quilos se tornou o maior descobridor de cometas graças à ajuda de cientistas e astrônomos amadores de diversos países, que analisam os dados obtidos. O responsável por ter identificado o cometa de número 2.000 – e também pelo 1.999º – foi Michal Kusiak, estudante de astronomia na Universidade Jagiellonian, na Polônia. Kusiak é um bom exemplo de usuário do Soho, tendo descoberto mais de cem cometas desde novembro de 2007.

meteo-1O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã. Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas. Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

mappa_mondoA Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou no dia 21 a nova versão de seu mapa da superfície terrestre. O GlobCover 2009 atualiza o mapa anterior, de 2005, por meio da análise de dados obtidos pelo espectrômetro com resolução de 300 metros a bordo do satélite Envisat. O trabalho foi feito por pesquisadores da ESA e da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Para fazer o novo mapa global de cobertura territorial, foi usado um novo software, desenvolvido pelas empresas Medias France e Brockmann Consult. Foram processados dados colhidos pelo Envisat de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2009. As legendas do mapa adotam o Sistema de Classificação de Cobertura Territorial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

Um grupo internacional de cientistas anunciou ter conseguido obter geneticamente uma nova linhagem de levedura que se mostrou capaz de produzir etanol a partir do uso de mais tipos de açúcares de plantas. Para produzir comercialmente combustíveis como o etanol, que no Brasil é derivado da cana-de-açúcar, microrganismos devem ser capazes de fermentar sacarídeos encontrados em vegetais, como glicose, xilose ou celobiose. O problema é que a maioria dos micróbios não consegue converter todos esses açúcares em combustível que possa ser produzido em escala. No novo estudo, Yong-Su Jin, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, e colegas, expandiram a capacidade natural da levedura Saccharomyces cerevisiae de fermentar glicose ao modificar geneticamente o fungo – que também é usado na produção de pão e cerveja – para que se tornasse capaz de transportar proteínas de outro tipo de levedura, a Pichia stipitis.

ReatorUm reator capaz de produzir rapidamente combustível a partir da luz solar, com o uso de dióxido de carbono e água, é a novidade descrita por um grupo de cientistas na edição atual da revista Science. O processo, que emprega também um óxido do raro metal cério, é semelhante ao observado no crescimento das plantas: o uso de energia do sol para converter dióxido de carbono em polímeros baseados em açúcar, isto é, compostos orgânicos. Os compostos derivados da fotossíntese podem perder oxigênio por meio da degradação no subsolo durante milhares de anos (cujo resultado são os combustíveis fósseis como o petróleo) ou por um processo muito mais rápido de dissolução, fermentação e hidrogenização, empregado na produção de biocombustíveis. Até agora, a conversão de luz solar em combustível químico não se mostrou um processo eficiente e a geração de combustível solar, na prática, continua distante.

PlantasAs mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global vão representar um desafio à produção agrícola nas próximas décadas. O aumento da temperatura, somado à escassez de água, pode reduzir consideravelmente as colheitas. Pensando em criar uma alternativa para manter o ritmo da produção agrícola nacional nesse cenário e considerando a importância econômica da agricultura para o País – o Brasil é considerado o celeiro do mundo –, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificaram um gene com grande potencial de tornar plantas altamente resistentes à seca. A ideia é utilizar esse conhecimento para desenvolver mudas geneticamente modificadas, que suportam com mais facilidade as intempéries climáticas.

Um dos desafios de profissionais envolvidos com a recuperação de pacientes com queimaduras é abreviar o tempo de internação para evitar complicações infecciosas. O uso de biocurativos, produzidos a partir de celulose bacteriana – que possibilita a regeneração mais rápida da pele –, é uma das alternativas promissoras. Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, em parceria com a empresa Apis Flora, de Ribeirão Preto, desenvolveram um biocurativo cicatrizante e antimicrobiano à base de celulose bacteriana e extrato de própolis. O produto foi testado in vitro com ótimos resultados. “O objetivo do biocurativo, feito em forma de película, é atenuar o tempo de tratamento e a dor de pacientes que sofreram queimaduras de primeiro e de segundo graus ou que possuam feridas crônicas”, disse Hernane Barud, coordenador da pesquisa, à Agência FAPESP.

fapesp-23dic2010A impulsividade tem sido relacionada a vários distúrbios psiquiátricos e também a formas diferentes de comportamento violento. Um novo estudo acaba de descobrir uma mutação que pode predispor seus portadores a reagir sob o impulso do momento e de maneira irrefletida. A pesquisa foi feita com 96 presidiários na Finlândia por um grupo internacional e teve seus resultados publicados na edição desta quinta-feira (23/12) da revista Nature. A mutação está presente no gene HTR2B, um receptor de serotonina, neurotransmissor que atua no controle de impulsos. A descoberta foi feita após os pesquisadores sequenciarem e compararem o DNA de condenados por crimes violentos com um grupo controle.

elefanteUm novo estudo realizado por pesquisadores norte-americanos e britânicos revelou que existem duas espécies de elefantes na África e não apenas uma, como se acreditava até agora. Os pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos), da Universidade de Illinois (Estados Unidos) e da Universidade de York (Reino Unido) utilizaram análise genética para provar que, na África, o elefante das savanas e o elefante das florestas mantiveram-se separados por vários milhões de anos. Os resultados do estudo foram publicados na revista de acesso aberto PLoS Biology. Os cientistas compararam o DNA de elefantes modernos da África e da Ásia ao DNA extraído de duas espécies extintas: o mamute e o mastodonte.