Ciência e Tecnologia

Apressar o processo da natureza de se reciclar e degradar elementos poluentes. Em vez de anos, minutos. Essa é a técnica, desenvolvida em pesquisas nos laboratórios da Unisul, que começa este mês a ser testado na prática. “Utilizamos enzimas para aumentar a velocidade de bioconversão de estruturas fenólicas em efluentes líquidos, minimizando os efeitos destes compostos no meio ambiente”, explica o professor da Unisul Everton Skoronski, especialista em enzimas. Derivados fenólicos resultam do processo industrial tanto de empresas têxteis como farmacológicas e de papel e celulose, sendo aplicados como insumos para fabricação de novos produtos ou gerados como resíduos do processo produtivo.

unicamp-remedioPesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Unicamp desenvolveram um meio mais eficiente para produzir a substância atorvastatina, princípio ativo do medicamento mais vendido no mundo, empregado para reduzir os níveis de colesterol. Com a descoberta, o Brasil abre perspectivas para produzir um genérico do medicamento, cujo nome comercial é Lipitor®, fabricado pelo laboratório Pfizer e cuja patente está expirando. A pesquisa foi coordenada pelo professor Luiz Carlos Dias, com a participação do pós-doutorando Adriano Siqueira Vieira, no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-Inofar), ligado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MTC).

A 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP10), realizada em Nagoya (Japão), terminou no dia 29 de outubro com um acordo inédito para a proteção da diversidade das espécies e dos recursos genéticos do planeta. Depois de comemorar a conquista, que surpreendeu até os mais otimistas, a comunidade científica começa agora a avaliar quais serão os próximos passos para alcançar as metas estabelecidas na conferência. As primeiras avaliações começaram a ser feitas com a presença de alguns dos principais responsáveis pelo Protocolo de Nagoya na conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Bragança Paulista (SP). A reunião, que termina no dia 15 de dezembro, marca o encerramento do Ano Internacional da Biodiversidade.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançará, em Cachoeira Paulista (SP), o Fair Infrared Telescope Experiment (Fite), balão estratosférico que será usado para observar o universo em comprimentos de onda de infravermelho distante. O lançamento está previsto para até o dia 20 de dezembro. O novo experimento foi desenvolvido por grupos das universidades de Osaka e Nagoya (Japão), liderado por Hiroshi Shibai, e foi financiado pela Sociedade Japonesa para o Desenvolvimento da Ciência, com participação da Agência Espacial Japonesa (Jaxa). O lançamento será feito com apoio da Coordenação de Estudos Espaciais e Atmosféricos do Inpe.

fapesp-14dic10Um grupo de pesquisadores do Centro em Ciência da Saúde na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, conseguiu restaurar a memória e a capacidade de aprendizagem em um modelo animal da doença de Alzheimer. No estudo, a recuperação foi verificada em camundongos que tiveram aumentada a quantidade de uma proteína chamada CBP. Segundo os autores, trata-se da primeira demonstração de que a CBP, que libera a produção de outras proteínas essenciais para a formação de memórias, pode reverter consequências da doença hoje incurável. Os resultados da pesquisa serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Em 2009, a malária infectou mais de 300 mil pessoas no Brasil e mais de 240 milhões no mundo. Apesar das tentativas de controlar a doença através da eliminação do vetor e do tratamento dos enfermos, a erradicação ou mesmo a queda da incidência a níveis significativamente mais baixos não foi alcançada. Um dos caminhos possíveis para atingir esse objetivo distante pode ser uma vacina eficaz - o que, no Brasil, é algo pesquisado por uma rede da qual a USP faz parte, através do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF).

fapesp-13dic2010Um dossiê inteiramente dedicado à biotecnologia é o destaque da 70ª edição da revista Estudos Avançados, lançada na última semana. Os textos já estão acessíveis em formato digital na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme). A publicação do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) aborda as principais conquistas e perspectivas da área em um conjunto de nove ensaios que discutem, sob diversos aspectos, o amplo espectro de aplicações da biotecnologia. De acordo com o editor da Estudos Avançados, Alfredo Bosi, a biotecnologia é “uma das mais admiráveis conquistas da ciência contemporânea” e o interesse pelos estudos publicados no dossiê não se limita à comunidade científica.

Uma novidade anunciada neste domingo (12/12) na 50ª Reunião Anual da American Society for Cell Biology, na Filadélfia, Estados Unidos, poderá resultar em alternativas para tratar ferimentos graves sem a formação de cicatrizes. O ácido hialurônico é uma substância presente no organismo de todos os animais que preenche os espaços entre as células. Com o avanço da idade o ácido hialurônico diminui, reduzindo também a hidratação e elasticidade da pele, o que contribui para o surgimento de rugas. O grupo de Cornelia Tölg, do London Regional Cancer Program, em Ontário, no Canadá, conseguiu bloquear fragmentos de ácido hialurônico que disparam a inflamação. O bloqueio, feito em ratos com um minúsculo peptídio chamado 15-1, promoveu a cura de ferimentos profundos com a minimização de cicatrizes e a formação de um tecido cutâneo mais forte no lugar afetado.

nebulosa-plDeterminar a idade das estrelas que se encontram no centro das nebulosas planetárias é um problema complexo para os astrônomos. Até agora não existe um método que possa ser aplicado de forma generalizada para fazer esses cálculos. Depois de desenvolver e aplicar três diferentes métodos para calcular a idade dessas estrelas, um grupo de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) descobriu que elas podem ser mais jovens do que se imaginava. Acreditava-se que a média de idade seria de 5 bilhões de anos, mas, na amostra estudada, a maioria das estrelas é mais nova. Os primeiros resultados do estudo foram publicados no início de 2010 na revista Astronomy and Astrophysics e um novo artigo será lançado no início de 2011.

O Instituto Geológico (IG), da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, mapeará as áreas de risco de desastres naturais, como escorregamentos de encostas e inundações, de mais nove municípios paulistas. Dos 645 municípios do Estado de São Paulo, 65 tiveram suas áreas de risco de desastres naturais mapeadas desde 2004. O anúncio foi feito na quarta-feira (8/12) pelo diretor do IG, Ricardo Vedovello, durante o 2º Seminário Estratégias para Redução de Desastres Naturais no Estado de São Paulo. “Não temos como mapear todos os municípios de São Paulo de uma única vez devido à grande demanda e pela limitação de pessoal e de recursos”, disse Vedovello.

nuvoleUma das grandes incertezas a respeito das mudanças climáticas globais está nas nuvens. Como elas reagirão ao aquecimento do planeta – e com que consequências – é algo que tem intrigado os cientistas. De um lado, estudos apontam que o aquecimento irá alterar as nuvens de forma a contrabalançar os efeitos dos gases estufa. De outro, pesquisas indicam que as mudanças nas nuvens aumentarão o aquecimento. Um novo trabalho, publicado nesta sexta-feira na revista Science, reforça o lado negativo. Segundo o estudo, em escala global as nuvens, atualmente, influenciam o clima de tal modo que resulta na diminuição da temperatura na superfície do planeta. Mas elas perderão parte dessa capacidade de resfriamento. Justamente por culpa dos gases estufa.