Ciência e Tecnologia

forestaAmbientes aquáticos, como lagos, pântanos e rios, são fontes substanciais de metano (CH4), um dos principais gases de efeito estufa (GEE) e causador do aquecimento global. O poder de absorção de radiação ultravioleta desse gás é cerca de 23 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2). “Ao longo dos bilhões de anos de existência da Terra, sempre existiu um equilíbrio natural entre os ciclos biogeoquímicos com a produção e o consumo das várias moléculas de carbono, como CO2 e CH4. O ser humano, ao impactar e alterar nossas florestas, lagos, rios e mares entretanto, tem interferido nesse processo, alterando um equilíbrio que evolui há bilhões de anos e obviamente afeta a produção mais gases”, disse Alex Enrich-Prast, professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

fapesp-060111Na maior parte dos rios na América do Sul é comum encontrar grupos de pequenos cascudos – conhecidos entre os aquaristas como "limpa fundo" – que, à primeira vista, parecem iguais. Mas, apesar de muito parecidos, não pertencem à mesma espécie, segundo estudo publicado na edição desta quinta-feira (6/1) da revista Nature. A pesquisa, feita por cientistas do Brasil e do Reino Unido, revelou que comunidades de cascudos, ainda que possuam exemplares com padrões e cores praticamente idênticas, podem conter três ou mais espécies diferentes. O estudo observou que as espécies adotam o chamado mimetismo Mülleriano, no qual os exemplares são tanto modelos como mímicos, adotando padrões e cores semelhantes para o benefício de todos, como na defesa contra predadores.

xenicibisO Xenicibis, membro da família do íbis (Threskiornithidae) que viveu há cerca de 10 mil anos, não voava. Mas suas asas eram muito importantes, sendo usadas como um tipo de arma. A descoberta foi feita por um grupo de paleontólogos da Universidade Yale e da Instituição Smithsonian e será descrita em artigo publicado esta semana na revista Proceedings of the Royal Society B. Segundo o estudo, a ave, que viveu na região onde hoje se encontra a Jamaica, usava as asas como uma espécie de mangual, tipo de arma medieval que consiste em uma base unida por uma corrente a outra peça (por exemplo, uma bola de ferro), essa última usada para golpear os adversários. “Nenhum animal conhecido evoluiu dessa forma, usando seu corpo como se fosse um mangual. É o armamento mais especializado em uma ave de que temos notícia”, disse Nicholas Longrich, de Yale, que liderou o estudo.

Uma dieta com elevado consumo de sal durante a gestação poderá gerar indivíduos que, na idade adulta, terão hipertensão arterial. Por outro lado, se o consumo de sal durante a gravidez for baixo, o problema pode ser o desenvolvimento de resistência à insulina. Esses são alguns dos resultados obtidos em estudos feitos com ratos pela equipe do professor Joel Claudio Heimann, livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que investiga os efeitos das alterações no ambiente perinatal, que engloba o período gestacional até o final da lactação. O trabalho de pesquisa foi feito no âmbito do Projeto Temático "O sistema renina-angiotensina em prole de mães submetidas a alterações no ambiente perinatal", coordenado por Heimann e apoiado pela FAPESP.

Sergio RosenzweigAo contrair o vírus da hepatite A, a maior parte das pessoas permanece ilesa e nem chega a apresentar sintomas. Para alguns indivíduos, no entanto, a hepatite A desencadeia inflamação e necrose do fígado, levando à morte. Por muitos anos, os cientistas procuraram nos vírus diferenças – ainda que fossem minúsculas – que pudessem explicar tamanha variação de manifestações clínicas. Mas não conseguiram encontrar uma resposta. A comunidade científica agora tem uma nova convicção: o lugar certo para buscar uma resposta não é o vírus e sim o hospedeiro, de acordo com o Sergio Rosenzweig, do Laboratório de Defesas do Hospedeiro do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas – um dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

fapesp-04gen11O Brasil assinou um acordo formal de adesão para se tornar membro de pleno direito do Observatório Europeu do Sul (ESO). O país será o décimo quinto Estado Membro do ESO e o primeiro fora da Europa. O acordo foi assinado no dia 29 de dezembro, em Brasília, pelo diretor geral do ESO, Tim de Zeeuw, e pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. O convênio permite a participação do Brasil na construção do futuro superobservatório, o European Extremely Large Telescope (E-ELT), que terá 42 metros de abertura e está previsto para ser inaugurado em um prazo de dez anos, no Chile. A entrada do Brasil no consórcio custará cerca de 250 milhões de euros em 11 anos. O Observatório Europeu do Sul tem uma longa história de envolvimento bem sucedido com a América do Sul, desde quando o Chile foi escolhido para ser sede de seus observatórios, em 1963. No entanto, até agora nenhum país fora da Europa tinha aderido ao ESO como Estado Membro.

Avatar, A origem, Matrix, Shrek, Toy Story, WALL-E, UP – Altas Aventuras, Batman, Homem de Ferro, Homem-Aranha. O que esses e muitos outros filmes recentes têm em comum? Além de terem sido grandes sucessos de bilheteria, todos esses fizeram uso extensivo de recursos computacionais. Sem os avanços recentes na computação gráfica, tais filmes poderiam até ter sido feitos, mas certamente com resultados bem distintos. Em artigo na edição atual da revista Science, Robert Bridson e Christopher Batty, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, destacam que as cenas impressionantemente realistas no cinema de animação têm como base avanços na simulação de como objetos e fluidos se movem, colidem e quebram. A utilização da computação gráfica não se dá apenas em filmes de animação (ou desenhos animados), mas em produções com atores de carne e osso. Atualmente, são poucos os filmes que dispensam o seu uso.

As pesquisas em materiais e dispositivos nanométricos, como os usados em sensores e circuitos eletrônicos, acabam de ganhar um reforço no Rio de Janeiro. Foi instalado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT) o Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia (Labnano). De acordo com o CBPF, o novo laboratório é o primeiro da região concebido e preparado para atender a demandas em nanotecnologia provenientes de centros de pesquisa públicos e privados e também de empresas. Deverá impulsionar as pesquisas na área de materiais nanoestruturados, com ênfase na produção de estruturas em escala nanométrica (bilionésima parte do metro), tais como sensores para aplicação em imageamento térmico e para diagnósticos médicos, entre outras finalidades.

Michal-KusiakEntre o Natal e o Ano Novo, uma marca histórica foi motivo de uma pequena celebração por parte de cientistas das agências espaciais europeia (ESA) e norte-americana (Nasa). No dia 26, o Observatório Solar e Heliosférico (Soho, na sigla em inglês), parceria entre as agências, descobriu seu cometa de número 2.000. O veículo espacial de 610 quilos se tornou o maior descobridor de cometas graças à ajuda de cientistas e astrônomos amadores de diversos países, que analisam os dados obtidos. O responsável por ter identificado o cometa de número 2.000 – e também pelo 1.999º – foi Michal Kusiak, estudante de astronomia na Universidade Jagiellonian, na Polônia. Kusiak é um bom exemplo de usuário do Soho, tendo descoberto mais de cem cometas desde novembro de 2007.

meteo-1O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã. Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas. Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.

mappa_mondoA Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou no dia 21 a nova versão de seu mapa da superfície terrestre. O GlobCover 2009 atualiza o mapa anterior, de 2005, por meio da análise de dados obtidos pelo espectrômetro com resolução de 300 metros a bordo do satélite Envisat. O trabalho foi feito por pesquisadores da ESA e da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Para fazer o novo mapa global de cobertura territorial, foi usado um novo software, desenvolvido pelas empresas Medias France e Brockmann Consult. Foram processados dados colhidos pelo Envisat de 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2009. As legendas do mapa adotam o Sistema de Classificação de Cobertura Territorial da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).