Ciência e Tecnologia

Existem vários modelos de aceleradores de partículas, com tamanhos diferentes e características próprias. São máquinas que levam, no interior de uma tubulação, feixes de partículas até um alvo específico para quebrar um átomo, entrar em choque com partículas subatômicas ou entender a formação de um material, orgânico ou inorgânico. No mundo, o mais famoso é o gigantesco Large Hadron Collider (LHC), localizado na Europa. No Brasil, o maior é o Síncrotron, instalado em Campinas, no interior paulista.

Um estudo internacional publicado na primeira edição de 2011 da Molecular Cell descreve o mecanismo pelo qual a molécula ARTS, conhecida como “assassina”, regula o processo de morte celular. A ARTS é uma proteína localizada na mitocôndria que está relacionada com a apoptose, evento que acarreta a morte celular programada. O artigo, que tem entre seus autores um brasileiro, pode ajudar a explicar por que muitos tumores malignos são difíceis de reduzir. “Sabe-se que a ARTS interage com outra molécula, a XIAP, mas o mecanismo de como isso ocorre e o apelo farmacológico que isso pode trazer foram o que levaram nossa pesquisa ser aceita pela revista”, disse Ricardo Corrêa, pesquisador sênior do Sanford-Burnham Medical Research Institute, nos Estados Unidos. 

fapesp-26gen11Uma espécie de dinossauro terápode que não havia sido descrita foi desenterrada por um grupo de cientistas chineses no interior da Mongólia. A descoberta será publicada esta semana pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os terápodes, que deram origem às aves modernas, são um grupo de dinossauros essencialmente carnívoros ao qual também pertencem répteis bem conhecidos como o tiranossauro e o velocirraptor. O grupo liderado por Xing Xu, do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências, encontrou o terápode preservado em rochas da formação Wulansuhai, originária do Cretáceo Superior e localizada na fronteira entre a Mongólia e a China. 

albert-fertQuase trinta anos depois dos primeiros estudos teóricos, começam a tomar forma os primeiros dispositivos que representam uma nova forma de eletrônica: a spintrônica, que explora não a carga elétrica, mas outra propriedade, o spin (ou sentido do giro) dos elétrons. Empresas dos Estados Unidos, da França e do Japão devem lançar em um ano as versões comerciais de memórias magnéticas de computador, já com recursos de spintrônica, capazes de armazenar e transmitir informação e de reduzir à metade a perda de energia. “Os teletransmissores com base na transferência de spin também devem chegar logo, em um ou anos, aprimorando a transmissão de sinais por micro-ondas”, informou o físico francês Albert Fert, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS).

Ada-YonathO conhecimento que agora se acumula rapidamente sobre os ribossomos – estruturas celulares que fabricam proteínas – está alimentando a esperança de que sejam encontrados antibióticos mais eficientes que os atuais. Muitos antibióticos agem sobre ribossomos, paralisando a produção de proteínas vitais, mas as bactérias têm oferecido uma crescente resistência à ação desses medicamentos. “A crescente resistência das bactérias torna a busca por medicamentos mais eficazes uma necessidade urgente”, comentou uma das ganhadoras do prêmio Nobel de Química de 2009, a israelense Ada Yonath, em uma apresentação no dia 20, em São Paulo, em que resumiu seus 30 anos de trabalho com ribossomos. 

O International Charter Space and Major Disasters, que distribui dados orbitais para auxiliar países afetados por desastres naturais, fornecerá ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) imagens e informações de satélites que poderão ser utilizadas nos trabalhos de recuperação e prevenção na região serrana do Rio de Janeiro. As imagens serão entregues à Defesa Civil, usuária autorizada no Brasil. A aquisição e liberação gratuita de dados espaciais pelo International Charter ocorrem em situações de emergências. “Diferentemente do que ocorre no Inpe, que distribuiu a qualquer tempo e sem custo algum seus dados a todo usuário, o International Charter reúne agências que normalmente comercializam suas imagens e produtos de sensores ópticos e de radar. Portanto, essas imagens do Charter somente poderão ser utilizadas pelos destinatários diretos envolvidos nos desastres e para os fins específicos nas missões de auxílio”, disse o chefe da divisão de geração de imagens do Inpe, Ivan Márcio Barbosa.

Dawndraco kanzaiOs pterossauros, répteis voadores que viveram praticamente em todo o planeta entre 220 a 65 milhões de anos atrás, têm sido alvo constante de divergência entre os taxonomistas. A polêmica em busca da classificação correta dessas criaturas pré-históricas, consideradas os primeiros vertebrados a desenvolverem voo ativo, é nítida no caso dos pterossauros do gênero Pteranodon. Apesar de bem conhecidos pelos estudiosos, eles passaram por várias revisões no século passado, que tinham como objetivo agrupá-los segundo diferentes critérios de classificação taxonômica. A primeira revisão, realizada em 1910, estabeleceu que o Pteranodon reunia 11 espécies. Depois, outra revisão, de 1994, reduziu o número de espécies para apenas duas (Pteranodon longiceps e Pteranodon sternbergi). Agora, o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresenta uma nova proposta: são quatro as espécies desse grupo.

O projeto campeão do Prêmio IFMT de Inovação Tecnológica, “Sensor Ultrassônico para Deficientes Visuais” conquistou a primeira colocação no resultado do Concurso Pró-Inovação Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia organizado pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológicos da Universidade de Brasília (CDT/UnB), apoiado pelo Ministério de Educação (MEC). O resultado foi divulgado no dia 20 de dezembro de 2010. O projeto receberá assessoria para redação de um pedido de patente.

A atribuição de valor aos serviços ecológicos é um fator importante para incentivar a preservação da natureza e da biodiversidade. Mas não é suficiente: as dimensões econômicas por si só não garantem a conservação se não forem agregadas a fatores não-econômicos que envolvem valores históricos, culturais e até mesmo estéticos. A conclusão é de uma análise sobre a valoração econômica e os instrumentos para a conservação e uso sustentável da biodiversidade coordenada por Luciano Verdade, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Verdade, que é membro da coordenação do Programa Biota-FAPESP, apresentou os resultados do estudo durante a conferência internacional Getting Post 2010 – Biodiversity Targets Right, realizada em dezembro pelo Programa Biota-FAPESP, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Um grupo de professores e 108 estudantes do quinto ano da Escola Municipal Tancredo Neves, de Ubatuba, litoral norte paulista, em conjunto com empresários e pesquisadores voluntários, estão construindo um satélite artificial que deve ser lançado nos Estados Unidos e entrar em órbita ainda este ano. A iniciativa partiu do professor de matemática Candido Osvaldo de Moura. Em fevereiro de 2010, ele leu em uma revista de divulgação científica que uma empresa dos Estados Unidos, a Interorbital, vendia kits de satélites chamados TubeSats, que permaneciam em órbita a 300 quilômetros de altitude durante três meses. Ousadamente, Moura pensou em construir e lançar um desses. Os alunos aprovaram seu plano, mesmo sabendo que teriam de enfrentar muitas dificuldades, que Moura está superando, uma a uma.

scienza_techO interesse da população brasileira pela ciência aumentou consideravelmente nos últimos quatro anos. A conclusão é da pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia”, realizada no fim de 2010 com mais de 2 mil pessoas em todo o país e divulgada nesta segunda-feira (10/1) pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Em pesquisa anterior, realizada em 2006, o número de interessados ou muito interessados em ciência era de 41% dos brasileiros. O percentual subiu, em 2010, para 65%. De acordo com o coordenador do estudo, Ildeu de Castro Moreira, os resultados – que em breve serão publicados no site do MCT – não apenas revelam um interesse crescente, mas apontam também que a população brasileira tem uma percepção cada vez mais madura a respeito da ciência. “Os resultados mostram que a população brasileira confia no cientista, acredita que a pesquisa é fundamental, apoia o aumento de recursos para o setor e acha que a ciência traz benefícios para sua vida.