Ciência e Tecnologia

pucrsO Laboratório de Imunodiagnóstico (LID), da Faculdade de Farmácia da PUCRS, nasce com um imenso desafio: produzir o primeiro kit nacional de diagnóstico de doenças como HIV e hepatites B e C para triagem em bancos de sangue. O trabalho, apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Ministério da Ciência e Tecnologia, conta com a parceria das empresas FK-Biotecnologia, com o desenvolvimento de tecnologias, e Lifemed, em equipamentos. A inauguração do Laboratório está prevista para outubro.

fapesp-28set10Ao analisar a expressão gênica de amostras de células sanguíneas de pacientes com três diferentes tipos de diabetes, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) demonstraram que o transcriptoma de cada uma delas é diferente. Isto é, as células do sistema imune reconhecem as três doenças como problemas distintos. O estudo faz parte do Projeto Temático “Controle do transcriptoma no diabetes mellitus”, iniciado há um ano com o objetivo central de aprofundar a compreensão das bases moleculares da expressão gênica dessa enfermidade. O transcriptoma é o conjunto dos RNAs das células, incluindo os RNAs mensageiros e os microRNAs.

Compostos naturais encontrados nos oceanos podem ter suas estruturas moleculares modificadas a fim de lhes conferir novas aplicações. Esse é um dos trabalhos da bioengenharia, área que também envolve a criação de novas bactérias capazes de fornecer moléculas que não são sintetizadas na natureza. “Por meio da biossíntese, podemos mudar partes das moléculas como em blocos de Lego, a fim de afinar a atuação desses compostos naturais”, disse o professor Bradley Moore, da Instituição Scripps de Oceanografia na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos.

Uma pesquisa feita na Virginia Commonwealth University (VCU), nos Estados Unidos, mostrou que a combinação da doxorrubicina, uma poderosa droga anticâncer, com o citrato de sildenafil (comercializado como Viagra), aumenta a eficácia do primeiro no combate contra tumores de próstata ao mesmo tempo em que protege contra eventuais danos ao coração. A doxorrubicina é usada há mais de 40 anos em quimioterapia para tratar diversos tipos de câncer. Mas, apesar da eficácia clínica da droga, seu uso está associado com danos ao coração, que muitas vezes são manifestados mesmo anos após o fim do tratamento, apontam os autores do estudo.

A computação quântica vem sendo pesquisada em diversos países com vistas ao desenvolvimento de tecnologias de informação muito mais rápidas – exponencialmente maiores – e seguras do que as atuais e que permitam realizar tarefas impossíveis de serem feitas com os sistemas disponíveis hoje em dia. Um novo e importante passo na área acaba de ser conseguido por cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), nos Estados Unidos. Com o uso de nuvens densas e superfrias de átomos de rubídio, o grupo obteve avanços em elementos importantes para os sistemas de informação quânticos.

O número de cirurgias não-cardíacas no Brasil aumentou em 20,42% e os seus gastos cresceram quase 200% durante o período de 1995 a 2007. No total, houve mais de 32 milhões de cirurgias não-cardíacas no Brasil durante os 13 anos estudados e os gastos relacionados às hospitalizações cirúrgicas foram maiores que US$10 bilhões. Os dados são do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a partir da análise do banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS).

black-holeA gravitação quântica é um fenômeno cuja medição não se pode fazer localmente. O motivo é que ela ocorre em locais inacessíveis ao homem, como o interior de buracos negros. Mas um grupo de físicos brasileiros desenvolveu um meio de estudar indiretamente o fenômeno por meio de experimentos de refração de som em coloides, líquidos formados por moléculas de diferentes tamanhos – o leite é um exemplo. O trabalho foi realizado por Gastão Krein, do Instituto de Física Teórica (IFT) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Nami Svaiter, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), e Gabriel Menezes, pós-doutorando da Unesp. Os resultados foram publicados no dia 20 de setembro na revista Physical Review Letters.

fapesp-23set2010Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros desvendou a via bioquímica pela qual a melatonina – um hormônio produzido pela glândula pineal e em células do sistema imunológico – modula a morte induzida por ativação de determinadas células T, que são glóbulos brancos especializados em matar células contaminadas por microrganismos intracelulares, inacessíveis aos anticorpos circulantes. O estudo teve participação de cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) em Imunologia e do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Os resultados foram publicados no Journal of Immunology em artigo que mereceu um comentário na mesma edição.

Um gene responsável pela morte de células cerebrais após um episódio de acidente vascular cerebral (AVC) foi descoberto por um grupo formado por cientistas holandeses e alemães. A descoberta será publicada em breve na revista PLoS Biology. O gene NOX4 produz peróxido de hidrogênio, uma molécula cáustica muito usada em uma solução aquosa conhecida popularmente como água oxigenada. Segundo o estudo, a inibição do NOX4 por uma droga experimental em camundongos que sofreram AVC reduziu drasticamente os danos ao cérebro e preservou funções, mesmo quando administrada horas após o episódio.

biodiversityA halicondrina B é um composto anticâncer de origem marinha. Para se obter 350 miligramas da substância no ambiente natural é preciso coletar 1 tonelada de esponjas da espécie Lissodendoryx, na qual a halicondrina é encontrada. Por conta disso, um trabalhado de bioprospecção mal planejado pode simplesmente provocar a extinção da espécie, o que já aconteceu localmente com esponjas em algumas regiões da costa europeia. O exemplo foi usado pelo professor Renato Crespo Pereira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), para ilustrar a importância de se planejar a exploração sustentável da biodiversidade marinha.

Desta vez, o responsável não é o chimpanzé. Sabe-se que os chimpanzés são a fonte do HIV-1, principal causa da Aids, e se suspeitava que também fossem o reservatório de origem do Plasmodium falciparum, parasita que causa a forma mais severa de malária. Mas um novo estudo indica outro primata. No caso da malária, quem deu origem a essa forma de malária humana é o gorila. A conclusão está em um artigo publicado como destaque de capa na edição desta quinta-feira (23/9) da revista Nature. Weimin Liu, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, e colegas de diversos países analisaram cerca de 3 mil amostras de fezes colhidas em diversos locais na África Central.