popcornsAtores, diretores, trilha sonora, efeitos especiais. Há algum tempo o cinema norte-americano faz não só a cabeça de nós brasileiros, mas também o paladar, quando o assunto é pipoca. Aqui, essa variedade especial de milho produzida nos Estados Unidos também é a estrela dentro e fora das salas de cinema. Cerca de 90% do alimento que consumimos vem de lá. A estimativa é do agrônomo e especialista em genética e melhoramento de grãos Antonio Teixeira do Amaral Júnior.
Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ, Amaral Jr. é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e há 20 anos se dedica a tornar o milho-pipoca um cultivo economicamente atraente aos pequenos e médios produtores do estado. Segundo o pesquisador, o milho-pipoca é três vezes mais rentável do que o milho comum. No entanto, o Brasil conta com apenas três sementes naturais daqui, frente aos 87 cultiváveis vindos de fora e comercializados no País.

Além dos ganhos para a economia, tornar o Rio de Janeiro autossuficiente na produção de milho-pipoca levaria também ao fortalecimento da agropecuária do estado. De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o agronegócio no Rio de Janeiro tem uma participação de apenas 0,5% no valor adicional bruto do PIB nacional (Produto Interno Bruto), enquanto o vizinho Espírito Santo participa com 3,4%.

"Hoje somos um estado dependente economicamente dos royalties do petróleo. Temos que ter uma alternativa e o cultivo do milho-pipoca pode ser uma saída. Com um alto valor de mercado e muita aceitação, interna e externamente", avalia Amaral Jr.

Para tornar o Rio de Janeiro um produtor do grão, o pesquisador e professor da Uenf estuda técnicas de melhoramento genético da planta por meio da seleção de híbridos mais adaptados a solos pobres em fósforo, que é o caso do nosso estado. Em 2014, o estudo recebeu apoio por meio do programa Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), da FAPERJ, que concedeu suporte financeiro à manutenção das pesquisas.

"Fazemos uma seleção de linhagem para a obtenção de híbridos. Em outras palavras, por meio de testes em campo na fazenda de Itaocara, onde os níveis de fósforo chegam a 5 bpm, bem abaixo da média nacional, induzimos o cultivo do milho-pipoca e acompanhamos como a planta se desenvolve. Selecionamos os híbridos que melhor se adaptam às condições de solo e clima, isto é, quais se apresentam mais vigorosos, produzindo mais sementes e conseguindo se expandir bem", explica o agrônomo.

Segundo Amaral Jr., além do Rio de Janeiro, o Centro-Oeste, maior produtor de soja do País, tem solos com baixos níveis de fósforo. Logo, para o professor da Uenf, o avanço das pesquisas com o milho-pipoca poderia levar à região a ter mais uma boa e rentável opção de cultivo. "Já identificamos as linhagens superiores e já estamos obtendo os híbridos, que são o resultado do cruzamento entre linhagens superiores. Após a conclusão dessa etapa, vamos efetuar o registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, só depois, iniciaremos o processo de comercialização, quando efetivamente o grão chegará às mãos do produtor", conta o pesquisador.

Outra vantagem do melhoramento genético do milho-pipoca é o cultivo sustentável, sem o uso de fertilizantes. "Esta é uma cultura mais suscetível do que o milho comum, por isso requer mais cuidados. Além do fósforo, há estudos na Uenf para tornar o grão mais resistente a determinadas pragas, como também mais tolerante a solos com baixo nível de nitrogênio e ao déficit hídrico", diz o pesquisador. Agora é aguardar para que as salas de cinema do País recebam, em breve, as estrelas nacionais da agricultura.

Assessoria de Comunicação FAPERJ
Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn