Ciência e Tecnologia

ProtéinaUma proteína descoberta em 1995, capaz de aniquilar as células tumorais, deixando ilesas as células saudáveis, é considerada um dos mais poderosos recursos naturais do organismo para deter o câncer. No entanto, em certos tipos de câncer há uma inibição da expressão dessa proteína, conhecida como TRAIL (sigla em inglês para ligante indutor de apoptose relacionada ao fator de necrose tumoral), o que permite a evolução do tumor. Uma equipe brasileira de cientistas desvendou um mecanismo molecular que controla a expressão de TRAIL na leucemia mieloide crônica (LMC). O estudo, que mostrou como a “armadilha contra o câncer” é desmontada, abre caminho para a investigação de alternativas terapêuticas para a doença.

joggingO estudo Efeito do treinamento aeróbico sobre a morbidade psicossocial e sintomas em pacientes com asma: um estudo clínico aleatorizado, realizado por Felipe Augusto Rodrigues Mendes, doutorando da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) com Bolsa da FAPESP, recebeu menção honrosa na categoria Trabalho Publicado na edição 2010 do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o Sistema Único de Saúde (SUS). Desde 2002, a iniciativa do Ministério da Saúde distingue trabalhos divididos em cinco categorias: Tese de Doutorado, Dissertação de Mestrado, Trabalho Científico Publicado, Monografia de Especialização ou Residência e Incorporação de Conhecimentos Científicos no SUS. Os temas abordados devem estar focados no desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil.

fapesp-110208Salmonelas (gênero Salmonella) são bactérias muito conhecidas por causarem infecção alimentar e problemas como diarreia, gastroenterite e septicemia. Mas a salmonela é comum no trato intestinal e não são todos os subtipos que causam infecção. E a bactéria pode ser muito util, até mesmo para combater infecções, como mostra um grupo da Universidade da California em Berkeley, nos Estados Unidos. Em artigo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas descrevem como usaram a salmonela para transportar até determinadas células enzimas preparadas para combater vírus. Isso de modo seguro e sem causar doença.

foresta-amazzoniaViabilizar a fabricação industrial de etanol celulósico não é uma tarefa trivial, mas é fundamental para aumentar a produção brasileira do combustível sem ampliar a área plantada de cana-de-açúcar. A chave para essa revolução tecnológica pode estar na imensa diversidade de microrganismos da Floresta Amazônica. Nos próximos quatro anos, um projeto de pesquisa que envolve cientistas de São Paulo e do Pará concentrará esforços para produzir, a partir de fungos e bactérias da selva, coquetéis enzimáticos capazes de degradar a celulose, viabilizando o chamado etanol de segunda geração. O projeto foi aprovado no âmbito do acordo de cooperação assinado em 2009 pelas Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) dos Estados de São Paulo (FAPESP), Minas Gerais (Fapemig) e do Pará (Fapesp) e pela Vale S.A.

Um sistema de transporte programável em escala molecular foi desenvolvido por um grupo de cientistas das universidades de Kyoto (Japão) e Oxford (Inglaterra). A novidade foi descrita no domingo (6/2) na revista Nature Nanotechnology. Os pesquisadores não apenas criaram o sistema como conseguiram registrar seu funcionamento em tempo real. O trabalho abre mais um caminho para o desenvolvimento de modelos avançados de transporte de medicamentos ou de outros dispositivos moleculares. O sistema, que lembra um trem em monotrilho, tem como base as propriedades de automontagem do origami de DNA, uma dobradura do ácido desoxirribonucleico para criar formas em duas ou três dimensões em escala nanométrica.

fapesp-04feb11Em 2005, a Floresta Amazônica passou por uma seca tão severa que foi classificada como um fenômeno raro, dos que costumam ocorrer uma vez a cada cem anos. Entretanto, apenas cinco anos depois a região teve uma seca ainda mais forte. Segundo estudo feito por cientistas do Brasil e do Reino Unido, publicado nesta sexta-feira (4/2) na revista Science, em 2010 a maior floresta tropical do mundo teve ainda menos chuvas do que em 2005. Como secas severas são danosas à vegetação, menos carbono foi capturado no ano passado. Paulo Brando e Daniel Nepstead, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e colegas analisaram dados climáticos, pluviométricos e de perda de vegetação para concluir a repetição do “evento único no século”.

O Brasil deverá contar com a colaboração argentina na construção de uma nova fonte de luz síncrotron. Os ministros da Ciência e Tecnologia dos dois países, Aloizio Mercadante e Lino Barañao, assinaram, em 31 de janeiro, em Buenos Aires, um memorando de entendimento que prevê o desenvolvimento conjunto de projetos nas áreas de física de aceleradores, linhas de luz e estações experimentais do novo equipamento que será instalado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP). Segundo o LNLS, os argentinos são os principais usuários estrangeiros do laboratório, responsável pela operação da única fonte de luz síncrotron da América Latina, aberta a pesquisadores de todo o Brasil e de outros países em 1997.

O e-Merlin, um conjunto de radiotelescópios no Reino Unido, começou a funcionar efetivamente. A primeira imagem produzida exibe a luz emitida por um tipo de galáxia conhecida como quasar, um objeto astronômico muito energético (à direita, na imagem abaixo), que libera centenas de vezes mais luz que uma galáxia inteira com bilhões de estrelas. A imagem mostra que a luz do quasar se curva ao redor de uma galáxia, exemplificando a curvatura do espaço prevista por Einstein. A curvatura do espaço resulta em uma lente gravitacional, que produz várias imagens do mesmo quasar.

PlanetasEncontrar outra Terra entre os trilhões (ou mais) de planetas no Universo é um desejo recorrente entre os astrônomos. Mas, até agora, dos mais de 500 planetas além do Sistema Solar que foram descobertos, nenhum se mostrou semelhante em massa, composição ou qualquer outra característica importante da Terra. De qualquer maneira, a busca nunca viveu um momento como o atual. O motivo é a sonda Kepler, lançada em março de 2009 pela Nasa, a agência espacial norte-americana, com a missão de descobrir justamente planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas. A edição desta quinta-feira (3/2) da revista Nature destaca na capa a nova e notável descoberta de um sistema formado por uma estrela parecida com o Sol, denominada Kepler-11, que tem seis planetas em trânsito (passam pela linha de visão entre a Terra e a estrela).

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (Jaxa) mergulhou numa crise no dia 6 de dezembro, quando a sonda Akatsuki fracassou em sua tentativa de penetrar na órbita de Vênus sete meses após ter partido da Terra. A próxima chance só virá em seis anos, mas a nave talvez não tenha combustível suficiente para sobreviver até lá. A hipótese mais provável é que a sonda não conseguiu desacelerar o suficiente para entrar na órbita, segundo a agência local Kyodo. Foram investidos 25,2 bilhões de ienes (US$ 300 milhões) no desenvolvimento da Akatsuki, que viajou 520 milhões de quilômetros desde seu lançamento em 21 de maio.

Qual é a extensão das alterações no gelo nos polos diante das mudanças climáticas globais? Para entender a complexa relação entre gelo e clima, cientistas de todo o mundo agora contam com uma valiosa fonte de dados, cortesia do programa CryoSat, da Agência Espacial Europeia (ESA). O anúncio da publicação dos dados na internet foi feita nesta terça-feira (1º/2), durante o Workshop de Validação do Cryosat, em Roma, Itália. O programa tem como objetivo monitorar precisamente variações na extensão e na espessura do gelo polar por meio do uso de um satélite de órbita baixa. Os dados poderão auxiliar os cientistas a entender melhor o comportamento dos glaciares e a fazer previsões sobre possíveis elevações no nível do mar.

malaria-celluleNo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, uma pesquisa busca novo medicamento contra a malária a partir do controle da produção de proteínas essenciais para a sobrevivência do parasita causador da doença. O estudo do professor Rafael Victório Carvalho Guido, em parceria com outros pesquisadores da USP, se encontra em fase de pesquisa básica. Ele está inserido no projeto do Instituto Nacional de Biotecnologia e Química Medicinal em Doenças Infecciosas (INBEQMeDI). O parasita Plasmodium, causador da malária, necessita de aminoácidos para viver, e esses aminoácidos são encontrados na hemoglobina, molécula do nosso corpo responsável pelo transporte de oxigênio. No entanto, para conseguir os aminoácidos, o parasita precisa, primeiro, digerir a hemoglobina e, quando isso acontece, a hemoglobina libera não só aminoácidos, mas também a molécula Heme, que é tóxica ao parasita, em altas concentrações.

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