Ciência e Tecnologia

Nunca foi tão grande a possibilidade de surgirem novos tratamentos para as doenças falciformes – causadas por alterações genéticas na hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio e dá a cor avermelhada ao sangue. Ainda assim, é necessário investimento constante em políticas de saúde, como os programas de rastreamento em recém-nascidos, sobretudo na África Subsaariana. As conclusões são de um amplo estudo de revisão publicado na Nature Reviews Disease Primers e assinado por especialistas dos Estados Unidos, Reino Unido, Gana e Brasil. 

Estudo realizado por um grupo internacional de pesquisadores provocou uma reviravolta no entendimento sobre doenças inflamatórias potencialmente fatais como, por exemplo, a sepse. O trabalho apontou um agente bioquímico possivelmente envolvido na rápida diminuição da pressão arterial que ocorre no estágio avançado da doença – e costuma causar a morte do paciente. A descoberta pode abrir caminho para novas abordagens terapêuticas. Principal causa de morte nas unidades de terapia intensiva (UTIs) brasileiras – com taxa de letalidade em torno de 50% – a sepse é decorrência de uma resposta desregulada do sistema imune a um agente infeccioso.

País que já foi considerado sinônimo de alta tecnologia, o Japão deixou de ser o segundo no mundo a investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2006, quando foi ultrapassado pela China – os Estados Unidos lideram o ranking. Mas, desde então, o Japão tem procurado aumentar os gastos no setor. Em 2006, o país investia 2,7% do produto interno bruto (PIB) em P&D, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Hoje, o total passou a 3,4% do PIB. 

O microbioma, conjunto de microrganismos presentes no intestino, pode ser usado para prever a ocorrência do câncer colorretal – o segundo tipo de tumor mais frequente em mulheres e o terceiro entre os homens. Uma pesquisa feita por uma equipe internacional, com participação brasileira, identificou padrões no microbioma intestinal – que independem da cultura alimentar das populações estudadas – e detectou associação entre alterações nesse padrão e a ocorrência de câncer colorretal. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de exames não invasivos capazes de prever a ocorrência da doença. 

Um grupo internacional de pesquisadores, com participação brasileira, identificou duas mutações genéticas aparentemente responsáveis por 60% dos casos de um raro tipo de linfoma, conhecido como SPTCL (linfoma das células T subcutâneo similar à paniculite, na sigla em inglês). As alterações ocorrem em um checkpoint – gene codificador de proteínas que modulam o sistema imune – e estão presentes justamente nos casos mais agressivos da doença. A descoberta, publicada na Nature Genetics, liga pela primeira vez a causa de uma doença a alterações em um checkpoint. 

aedes aegyptiO anúncio de que testes em camundongos mostraram que a vacina da febre amarela se mostrou eficaz no combate ao vírus zika, que provoca microcefalia em recém-nascidos e distúrbios neurológicos em adultos, teve ampla repercussão nos meios de comunicação esta semana. O trabalho foi realizado por um grupo de cientistas de instituições de pesquisa fluminenses e a notícia, divulgada pela primeira vez no site do jornal O Globo, na segunda-feira, dia 25 de março, em reportagem assinada por Ana Lúcia Azevedo, ganhou destaque nos principais meios de comunicação do País em poucas horas.

As plantas do Cerrado evoluíram na presença do fogo. E, quando usado com inteligência, como método de manejo criterioso, o fogo é fator indispensável para a preservação desse formidável ecossistema, que constitui a mais biodiversa savana do mundo. Bastam dois meses para que o Cerrado queimado se transforme em um jardim exuberante (leia mais em agencia.fapesp.br/25865 e agencia.fapesp.br/26325). O estudo From ashes to flowers: a savanna sedge initiates flowers 24 hours after fire, publicado na revista Ecology nesta segunda-feira (25/03), confirmou essa teoria. O artigo enfocou uma espécie vegetal que inicia sua floração apenas 24 horas após a queima. 

Apesar de ter entrado em declínio a partir de 1985, o garimpo de ouro em minas de aluvião nas margens e leito do rio Madeira tem deixado um rastro de poluição por metais tóxicos no maior afluente do rio Amazonas. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com colegas da Queensland University of Technology, da Austrália, encontrou um nível relativamente alto de mercúrio acumulado em sedimentos de lagos do rio Madeira – gerado pela extração artesanal de ouro. 

Nas últimas três décadas, foram descobertos quase 4 mil objetos semelhantes a um planeta situados fora do Sistema Solar – e por isso chamados de exoplanetas – orbitando estrelas isoladas. Já a partir de 2011, por meio do satélite Kepler, da agência espacial norte-americana (Nasa), foi possível observar os primeiros exoplanetas girando em torno de sistemas binários jovens, compostos por duas estrelas vivas, em cujos núcleos ainda há queima de hidrogênio. Agora, um grupo de astrônomos brasileiros encontrou as primeiras evidências da existência de um exoplaneta ao redor de um sistema binário mais velho ou evoluído, em que uma das duas estrelas está morta.

Novos testes em animais e em células de melanoma em cultura mostraram que uma molécula conhecida como RMEL3, presente na maioria dos casos desse tipo agressivo de câncer de pele, tem função importante na sobrevivência e na proliferação do tumor. Os novos achados reforçam estudos anteriores, segundo os quais a inibição do RMEL3 pode ser uma nova opção de tratamento, auxiliando nos casos resistentes ao medicamento mais usado hoje. Resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados em artigo publicado na revista Pigment Cell & Melanoma Research.

No próximo verão, indústrias têxteis devem levar ao mercado tecidos funcionais, capazes de reter menos calor, controlar o odor do suor, proteger contra o Sol e contra mosquitos como o Aedes aegypti – vetor da dengue, da febre amarela, da chikungunya e do vírus zika. Algumas peças de vestuário com essas funcionalidades usam tecnologias desenvolvidas pela Nanox – uma empresa apoiada pelo Programa FAPESP de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e nascida no Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.