Em 2008, 2,5 milhões de candidatos participaram de avaliações organizadas pelo órgão. “O Cespe tem feito grandes mudanças em sua estrutura, seguindo orientações dos órgãos de controle. A qualidade do corpo técnico e a capacidade tecnológica do Cespe sempre foram reconhecidas”, reforça o professor Joaquim José Soares Neto, diretor-geral do Cespe.
O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, anunciou o cancelamento do contrato com o consórcio vencedor da licitação para execução do Enem na noite desta segunda-feira, 5 de outubro. A decisão foi tomada em acordo com o Consórcio Nacional de Avaliação e Seleção (Connasel), que está sendo investigada por causa da denúncia de fraude. Na quinta-feira passada, 1º de outubro, o jornal O Estado de São Paulo divulgou denúncia de que dois rapazes tentaram vender a prova a uma repórter por R$ 500 mil. A Polícia Federal está investigando o caso.
Com a quebra do contrato, o ministro da Educação, Fernando Haddad, solicitou ao Cespe e à Cesgranrio, que já haviam aplicado provas do Enem em anos anteriores, que assumissem as tarefas de aplicação, correção e divulgação dos resultados do Enem. As questões já foram elaboradas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a impressão ficará a cargo do MEC. A distribuição das provas será feita pelos Correios. “Aceitamos o convite do Ministério da Educação por considerar extremamente importante participar desse esforço nacional e contribuir com o sucesso do Enem”, afirma Joaquim José Soares Neto, diretor-geral do Cespe/UnB.
LICITAÇÃO - O Cespe havia decidido não participar da primeira licitação para elaboração e aplicação do Enem. Segundo Neto, as licitações já feitas pelo centro para a aquisição de materiais (como papel e tinta de impressão, por exemplo) em 2009 não seriam suficientes para participar de um processo tão grandioso como o Enem. “O Enem cresceu em dias de aplicação. Antes ele era feito em um dia. Agora, são dois. Isso significa o dobro de provas. Não estávamos preparados. Agora, estamos assumindo tarefas específicas”, ressalta.
Segundo Neto, o tempo que resta até a aplicação do Enem – exatos dois meses – será suficiente para garantir o sucesso do exame. Como as questões já estão prontas e o MEC se encarregará da impressão e distribuição do material, o Cespe e a Cesgranrio conseguirão contratar pessoal para atuar nos dias de avaliação e correção das provas. No último Enem, 4 milhões de estudantes se inscreveram para participar. O Cespe contratou 140 mil pessoas para trabalhar no dia de aplicação da prova.
Segundo o ministro Fernando Haddad, a licitação não é o processo mais adequado para a escolha da empresa que aplica o Enem. “Chegamos ao entendimento que é preciso contratar instituições de excelência, com experiência na aplicação de provas”, ressalta. Para ele, a licitação não garante que a empresa vencedora terá condições de cumprir todas as garantias do contrato, que envolvem a segurança do processo. Por isso, o MEC decidiu procurar o Tribunal de Contas da União para buscar formas de resolver esse problema nos próximos exames. O contrato com o Cespe e a Cesgranrio foi feito em caráter emergencial.
UnB Agência



