Segundo Saad, uma das primeiras tarefas para compreender o tipo de crise é buscar o significado do conceito de neoliberalismo.
– O capitalismo não é uma ideologia, é um tipo de capitalismo que surgiu para sanar os problemas que o keynesianismo (afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia) não conseguiu resolver. Entre as características do neoliberalismo estão a transnacionalização de empresas, o controle da mão de obra e a reconstituição do imperialismo americano – afirma o professor.
Entre os assuntos discutidos estavam também a questão do mercado imobiliário, a retração do crédito e a dificuldade de integração da classe trabalhadora no modelo neoliberal.
O evento prosseguiu com Matias Vernengo, consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e professor da University of Utah. Para ele, o neoliberalismo é uma ideologia, e não uma fase específica do capitalismo. O palestrante buscou desenvolver respostas para duas questões: “Ideologias sofrem crises?” e “As políticas de governo para enfrentar a crise revelam sua ideologia?”
Relações na América Latina
Ao final do seminário, o decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), Alcino Ferreira Camara Neto, revelou que a vontade de criar um núcleo voltado para os estudos internacionais é antiga e que é grande a perspectiva de crescimento dessa área de estudo na universidade.
– A questão dos estudos internacionais na UFRJ é uma preocupação desde 1986, quando tentamos pela primeira vez criar esse núcleo. Pretendemos avançar ainda mais na área internacional. A UFRJ era a única grande universidade que não tinha graduação em Relações Internacionais e hoje isso mudou – disse o decano.
Segundo Alcino, o NEI pretende se aprofundar nos estudos regionais de áreas como a América Latina e Ásia. Para isso, já está prevista, para este ano, a realização do Seminário do Estado Desenvolvimentista, com apoio do Banco do Brasil.
Agência UFRJ de notícias



