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Notícias do Campus
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Universidade de BrasíliaO pesquisador da Universidade de Brasília Luis Guilherme Rezende será o primeiro latino-americano a desenvolver estudos de Antropologia na Antártica, como parte de uma tese de doutorado. O objetivo do trabalho etnográfico - estudo de um objeto pela vivência no local onde este se insere - é compreender como se dá a construção de afirmações universais por parte de cientistas de diferentes países que desenvolvem estudos no continente gelado.
Desde a década de 1950, existe um tratado internacional que determina, aos países que ocupam a Antártica, que o façam pacificamente e com fins científicos. Cada país, entretanto, tem condições financeiras diferentes e, consequentemente, condições de pesquisa variadas. “Quero entender como essas diferenças se relacionam na construção de afirmações científicas universais”, explica. Guilherme também estudará como se dá a construção do discurso climático, já que a maior parte das pesquisas no continente é sobre o assunto.
 
A pesquisa etnográfica se dará em quatro partes. A primeira será a de observação do dia a dia dos cientistas, de como vivem na Antártica. Depois será analisada a relação entre o cientista e seu objeto de estudo. Em seguida, o pesquisador estudará a relação entre os cientistas e os instrumentos de pesquisa, que condicionam os estudos. Por fim, Rezende acompanhará a relação entre os cientistas e as demais pessoas que estão na Antártica para prestar assistência logística, como os militares.
 
A partir dessas quatro questões o pesquisador pretende chegar à conclusão de como os cientistas se constituem como pessoa e qual a imagem que montam da Antártica. “Apesar de a ciência estar orientada para construção de conhecimentos universais, ela é produzida sob condições diferentes por cada país”, comenta.
 
Para isso, o pesquisador chegará à um dos menores continentes do mundo em 5 de janeiro e ficará até março, quando volta para o Brasil. Guilherme passará 20 dias em terras tropicais, mas, ainda em março, retorna à Antartica para passar o inverno e, só então, regressar definitivamente em novembro. Nesse período, Guilherme observará as práticas científicas em três ambientes: no acampamento, no navio e na base militar do programa.
 
PIONEIRISMO – O Programa Antártico Brasileiro (Proantar), que existe desde 1982, não havia lançado  nenhum edital para Ciências Sociais até então. “Minha pesquisa passou por todas as etapas de seleção de um edital, mas não acabou escolhido em nenhum porque não havia reservas para a área”, conta Rezende.
 
Foi batendo de porta em porta que o pesquisador conseguiu apoio para a pesquisa. Depois da iniciativa de Guilherme, o Proantar lançou o primeiro edital para Ciências Humanas, para o qual Rezende também se candidatou e ganhou como assistente do pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andrés Zarankin, no projeto da Antártica.
 
UnB Agência