A idéia de projetar e fabricar chips totalmente brasileiros acaba de sair do papel. Foi inaugurado ontem, em Porto Alegre, o Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec), projeto instalado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A fábrica marca uma nova era da indústria eletrônica no Brasil, juntamente com a criação de Design Houses – centros de tecnologia que desenvolvem projetos para microchips. A UnB vai sediar uma das cinco Design Houses financiadas pelo MCT.
Cada uma vai custar R$ 1,5 milhão. “Todos os equipamentos eletrônicos precisam de chip, agora não teremos mais que comprar no exterior”, explica o professor da Faculdade do Departamento de Engenharia Elétrica, José Camargo Costa.
Com a inauguração da fábrica, o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB deve começar a trabalhar nos projetos de chips que serão fabricados em Porto Alegre no início de março. “Precisamos mostrar para as empresas de pequeno e grande porte que nós podemos criar os chips que elas precisam. Vai ficar mais barato, rápido e acessível”, conta o diretor do CDT, Luís Afonso Bermúdez.
SONHO – O sonho de inúmeros pesquisadores brasileiros que trabalharam para a fábrica brasileira de produção de chip demorou dez anos para se tornar realidade. O projeto existe desde junho de 2000. O professor José Camargo fez parte desse grupo de sonhadores e aponta os benefícios para o país de um projeto grandioso. Além das empresas que não precisaram mais comprar a tecnologia de outros países, a fábrica abre oportunidades para outras empresas usufruírem da tecnologia que estará montada ao redor. “Uma fábrica dessas deve ter um ecossistema que a mantenha funcionando”, explica o professor.
O estímulo para as universidades é outro benefício que a Ceitec trará para o Brasil. “Com o acesso facilitado, seremos estimulados a lançar outros projetos. Além disso, poderemos receber clientes da Ceitec e realizar o projeto”, conta Camargo. Com a criação da fábrica, o Brasil terá a propriedade intelectual de todos os produtos desenvolvidos pelos seus engenheiros. Camargo diz que isso terá impactos no Produto Interno Bruto. Hoje, a indústria eletrônica no Brasil representa 1,7% do PIB. Nos países desenvolvidos, o setor representa aproximadamente 12% do PIB. “Nós produziremos o que existe de mais caro e importante da tecnologia atual, em todos os aparelhos que vemos hoje tem chips”, conta Camargo.
FÁBRICA - O Ceitec custou cerca de R$ 400 milhões para o Ministério de Ciência e Tecnologia. Lá existe uma sala considerada 10 mil vezes mais limpa que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Para isso, a Ceitec produz água e ar altamente puros. A fábrica já está testando novos chips, para serem usados na identificação de gado, rastreamento de automóveis e de medicamentos, passaporte eletrônico e automação de aeroportos.
UnB Agência



