Após a euforia da descoberta da camada pré-sal, o Brasil discute para onde devem ser destinados os recursos dos royalties do petróleo. Antes de tomar uma decisão, os parlamentares e governantes deveriam, talvez, olhar para as cidades que enriqueceram nos últimos anos justamente com esse tipo de dinheiro. Essa é a mensagem de um grupo de pesquisadores de políticas públicas na 5ª edição da revista Unesp Ciência. Analisando municípios do Norte Fluminense, em especial Campos dos Goytacazes, cientistas da Unesp, da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Cândido Mendes observaram que, apesar do importante aumento no orçamento possibilitado pelos royalties da indústria petrolífera, não houve melhoria na qualidade de vida da população. Áreas como saúde e habitação continuam exatamente no mesmo nível que estavam antes do aporte.
O grupo alerta, na reportagem, para a necessidade de reavaliação do atual modelo de transferência de verbas, o que demanda formulação e gestão adequadas das políticas públicas, com regras específicas para que os gestores não gastem a verba como bem entenderem. O problema ganhou até um nome – é o paradoxo da abundância. Mas também poderia ser “petróleo na mão é vendaval”, como brincamos na capa da edição.
Outro tema abordado na revista de fevereiro são as descobertas da neurociência em torno de algumas células consideradas até recentemente meras coadjuvantes nos processos cerebrais. Novos estudos com os astrócitos mostram que sem eles as sinapses dos neurônios não seriam possíveis. E sugerem que essas células da chamada glia podem até vir a roubar a cena dos neurônios em atividades fundamentais como formação da memória e talvez até mesmo da própria consciência.
O terceiro destaque da nova edição é para um software desenvolvido na Faculdade de Engenharia, câmpus de Bauru, capaz de identificar o famoso "gato elétrico". O programa inteligente se inspira no funcionamento do cérebro humano para detectar ligações clandestinas, principalmente entre clientes industriais, que são os maiores fraudadores. Ele é capaz de reconhecer com precisão 85% dos gatunos. Blitz in loco das companhias de energia costuma flagrar somente 15% dos casos.
A seção “Perfil” deste mês conta a história do zoólogo Luiz Dino Vizotto, um naturalista por excelência que passou a vida entre anfíbios, répteis (vivos e fósseis), morcegos e até aves. Suas pesquisas com andorinhas lhe renderam no ano passado o título de cônsul desses passarinhos. Aos 79 anos, continua na ativa entre pesquisas no câmpus de Rio Preto com cágados e aulas de atualização faunística para a Polícia Ambiental.
Mais anfíbios também no “Estudo de Campo”. A reportagem foi até os limites da capital paulista, onde ainda resiste um enorme remanescente de Mata Atlântica, para acompanhar a pesquisa que busca identificar as espécies de sapos que vivem no Núcleo Curucutu. Nem parece São Paulo. Vale a pena ver. A versão impressa circula a partir da semana que vem.
Assessoria de Comunicação e Imprensa UNESP



