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Muro de BerlimOnde foram parar os restos dos 162 km do Muro de Berlim? Em palestra sobre os 20 anos da queda do maior símbolo da Guerra Fria – em 9 de novembro de 1989 - o professor Edgar Wolfrum, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, detalhou como os pedaços de concreto mais famosos da História tornaram-se objetos de cobiça no famigerado mercado capitalista. “Há pedaços do muro nos jardins do Vaticano, em museus dos EUA, no quartel do CIA, em escolas infantis do Japão e até como apoio para mictórios em banheiros de Las Vegas”, comentou o especialista.
O comércio de pedaços do Berliner Mauer tornou–se o principal produto de exportação da República Democrática da Alemanha (RDA) no primeiro ano após a derrubada. “O governo da parte oriental da cidade, que sofria uma forte recessão na economia, chegou a emitir certificados que asseguravam a legitimidade dos restos da parede”, contou Wolfrum. Ao todo, 60 toneladas de pedra foram vendidas para a América pela pechincha de US$ 30 as porções mais modestas. Na Alemanha, moradores recolhiam grandes blocos para enfeitar o jardim ou vender mais caro no futuro.
 
Edgar conta que as sobras do muro que não viraram matéria prima para a construção de rodovias na Alemanha reunificada – “era uma brita de ótima qualidade” – se espalharam rapidamente pelo mundo. “Foram organizados grandes leilões em que os pedaços eram disputadíssimos por personalidades como membros da família Churchill ou por cidadãos comuns. Todos queriam uma recordação da história”, comentou o professor, um dos convidados do evento organizado pela embaixada da Alemanha no Brasil em parceria com a Universidade de Brasília, nesta quinta-feira, 12 de novembro.
 
Wolfrum ressaltou a preocupação e o debate em torno da preservação dos 1,5 km do muro que ainda restam em Berlim, o equivalente a 5% do volume original. “Há um movimento que defende o tombamento do que ainda está de pé como patrimônio histórico da humanidade”, observou. O alemão lembrou o histórico show da banda de rock Pink Floyd, batizado The Wall (O Muro), realizado em julho de 1990, em Berlim, quando 300 mil pessoas se reuniram para celebrar o fim da ditadura soviética. “A parede que durante 28 anos representou a repressão, tornava-se o símbolo da liberdade”.
 
NAZISMO – Edgar afirma que é possível fazer uma comparação entre o regime comunista imposto pelo Exército Vermelho em Berlim, durante a Guerra Fria, e a ditadura nacional socialista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra, na primeira metade do século XX. No entanto, o professor ressalta as diferenças fundamentais que distinguem os dois momentos históricos. “Na RDA o movimento de libertação ocorreu de dentro para fora, pois a opressão do regime era maior. No Nazismo, não houve uma libertação e, sim, uma derrota, que veio de fora para dentro”, explicou o especialista.
 
O encontro, que lotou o auditório da Reitoria, contou ainda com a participação dos professores da UnB Estevão Martins, Wolfgang Dopcke, Hartmut Ghunther e Gustavo Lins Ribeiro, o diplomata da embaixada da Alemanha Holger Klitzing e a participação da tradutora convidada Sabine Plattner.
 
SERVIÇO
A programação do evento 20 Anos da Quedado Muro de Berlim e 60 anos da República Federal da Alemanha segue até 3 de dezembro, em diversos locais de Brasília, com mostras de filme, teatro e debates. Mais informações pelo telefone 3307-2306.  
 
UnB Agência