O Instituto de Biociências (IB) da USP conta com um novo recurso para suas pesquisas. Novo, grande, imponente e tecnologicamente avançado. Trata-se do Laboratório Móvel, um caminhão adaptado para realização de atividades de pesquisa e divulgação científica que entrará em ação ainda esse ano. O veículo, um Volkswagen 13.180, teve sua parte traseira completamente adaptada para funcionar efetivamente como um laboratório. Há espaços para computadores, microscópios, refrigeração (essencial para a conservação de itens coletados nas pesquisas), gerador de energia, microondas e televisão.
É preciso ressaltar que tal estrutura se justifica pela rotina dos pesquisadores do IB. Viagens de dias e até mesmo semanas a regiões distantes de São Paulo são frequentes para professores e alunos do Instituto. Entre os destinos, localidades inóspitas no Pantanal, Cerrado e até mesmo na Amazônia.
Por isso, a necessidade de se dispor de um laboratório de ponta. Afinal, em muitas dessas viagens os pesquisadores estão distantes de qualquer lugar que ofereça uma estrutura para a recepção dos materiais coletados.

O diretor do IB, professor Welington Delitti, diz que em sua rotina de pesquisador do Departamento de Ecologia – função que exerce há mais de 30 anos – se deparou com muitas situações em que a falta de um veículo adequado para o transporte de materiais se fez presente e dificultou um andamento melhor das pesquisas. “Houve uma vez em que tomei conhecimento de que um manguezal seria derrubado, para que fosse aberta uma estrada. Me interessei em coletar aquele material para fazer análises. Mas não tive como, por não dispor de um veículo que desse conta do serviço. É o tipo de problema que não teremos com o Laboratório Móvel”, conta.
Iniciativa pioneira
Com base no exemplo descrito por Welington Delitti, pode-se detectar que a existência de um veículo com os moldes do que o IB inaugura agora sempre foi uma aspiração da categoria. Apesar disso, não há, ao menos do conhecimento dos professores do IB, um projeto do gênero. O que deixa a unidade numa posição de pioneirismo.
Como conta Delitti, a ideia do Laboratório Móvel nasceu de conversas entre professores. O passo seguinte foi procurar uma empresa que realizasse a adaptação do caminhão – tarefa não das mais fáceis, segundo o diretor do IB, justamente pela ausência de um know-how no setor. A somatória entre o saber do grupo escolhido, especializado na produção de ambulâncias, e o dos professores do IB, que apontaram o que seria necessário em um laboratório, gerou a definição dos caminhos da adaptação.
Além dos aparatos de pesquisa, a adaptação trouxe também uma cabine extra no veículo (o que faz com que o Laboratório possa transportar oito pessoas) e sistemas de rastreamento, para garantir a segurança. No total, a adaptação custou R$ 250 mil. Valor que, para o professor, será compensado pela economia que a aquisição da máquina traz ao Instituto. “Foi também uma opção sob o ponto de vista econômico. Tendo nosso próprio caminhão, não ficaremos mais na dependência do aluguel de carros”, conta.
Divulgação
Welington Delitti enfatiza que, além do suporte a pesquisas, o Laboratório Móvel terá como missão realizar ações de divulgação científica. Seja na capital, com a visita a escolas, como também em localidades distantes. “O importante é que o Laboratório se converta na presença da USP no local onde ele estiver. Por isso fizemos questão de deixar, de forma bem explícita, o nome USP e o site do IB, para que as pessoas vejam e se interessem pelo trabalho”, conta.
Como explica o professor, em muitas regiões há a carência de laboratórios que atuem com finalidade educacional – ou seja, para os professores dessas regiões é mais difícil chamar seus alunos para a ciência e expor, na prática, conceitos abordados. “O Laboratório possibilitará que sejam feitas apresentações de questões básicas da biologia, como a fotossíntese. E também pretendemos usá-lo como espaço para a projeção de filmes científicos”, diz.
Rotina de uso
O IB ainda não tem uma previsão de quantas viagens o Laboratório Móvel fará por ano. De acordo com Welington Delitti, a questão vai depender de como se dará a demanda e o fluxo de utilização do veículo.
O professor explica que o uso do Laboratório acompanhará a seguinte ordem de prioridade: atividades da graduação; atividades da pós-graduação; cursos de extensão; pesquisas individuais. “Vamos priorizar as ações que envolvam o maior número de pessoas”, aponta.
Os motoristas que conduzirão o veículo também terão que fazer uma qualificação adequada – segundo Delitti, serão ministradas aulas para que os profissionais saibam lidar com especificidades do caminhão, como o gerador de energia elétrica.
Assim que essas questões estiverem resolvidas, o Laboratório Móvel irá a campo – “ainda esse ano”, enfatiza Delitti. A primeira saída do caminhão deve ter o diretor do IB como um dos seus pesquisadores. “Deveremos usar o Laboratório Móvel para a realização de pesquisas no Cerrado, no município de Pirassununga”, diz.
Assessoria de Imprensa da USP



