A reitora da USP, professora Suely Vilela, emitiu no início da noite desta terça-feira (3) uma mensagem em que expressa o pesar da instituição pela morte do etnólogo e antropólogo Claude Lévi-Strauss, ocorrido no último sábado, mas somente divulgado nesta terça-feira (3). Em 2 de setembro do ano passado, já em meio às comemorações dos 75 anos de fundação da USP, o Conselho Universitário (CO) aprovou a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao mestre reconhecido internacionalmente como o pai do estruturalismo. “A Universidade de São Paulo reconhece em Claude Lévi-Strauss um de seus mais dignos professores fundadores, sobretudo por ajudar decisivamente, por meio de sua competência, à construção da grandeza de nossa Instituição”, expressa a reitora no texto.
Para a professora Sylvia Caiuby Novaes, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, “a Universidade de São Paulo foi o início de uma carreira brilhante. Tivemos o privilégio de acolher Claude Lévi-Strauss”, aponta. Sylvia destaca que o professor contribuiu para que a antropologia passasse a ser uma disciplina de ponta dentro das Humanidades, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Outra grande contribuição do antropólogo foi, segundo ela, colocar o pensamento indígena em pé de igualdade com qualquer pensamento encontrado na filosofia ocidental. “É importante citar isso num momento tão anti-indígena como este que estamos vivendo agora”, diz.
Sylvia lembra que Lévi-Strauss era um professor desconhecido, tinha menos de 30 anos quando aceitou integrar a missão que deu origem à USP, em 1934. Formado em Direito e Filosofia, acabou se decidindo pela Antropologia a partir da experiência que viveu no Brasil. “Ele ficou fascinado pelas populações indígenas que encontrou na viagem que fez pelo País. Após 20 anos dessa viagem, em 1955, ele publicou Tristes Trópicos, onde percebemos que ele era um jovem apaixonado pelas coisas que encontrou ao longo desta viagem.”
Sobre a morte do intelectual, Sylvia afirma que “na cabeça da gente ele não morre, mesmo porque a obra dele continua”. Ela cita que o pensamento de Lévi-Strauss é muito presente em outros antropólogos, como o brasileiro Eduardo Viveiros de Castro. “Existe uma continuidade na obra dele.”
Humanista
Para o professor Vagner Gonçalves da Silva, do Departamento de Antropologia da FFLCH, Claude Lévi-Strauss é um dos últimos grandes intelectuais do mundo, e pode ser enquadrado na categoria dos “gênios”. “A morte de Lévi-Strauss encerra um ciclo dos grandes heróis do pensamento. O mundo se tornará um lugar menos inteligente para se viver”, aponta, lembrando que além de sua importância enquanto teórico da antropologia, ele era também um grande humanista.
Vagner Gonçalves da Silva destaca que, em novembro de 1998, o Departamento de Antropologia fez uma homenagem aos 90 anos de Lévi-Strauss por meio do Seminário Lévi-Strauss e os 90 que reuniu especialistas na obra do intelectual francês. O material foi reunido e está disponível na internet. Segundo Silva, trata-se de um dos números mais requisitados da revista.
Em 2008, o departamento de Antropologia da FFLCH e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da FFLCH promoveram o ciclo de conferências Sentidos de Lévi-Strauss, no centenário do antropólogo. De acordo com a professora Sylvia Caiuby Novaes, a idéia dos organizadores do evento é também publicar este material.
Assessoria de Imprensa da USP



