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UnBUniversidades que oferecem educação a distância ainda passam pelo processo de virtualização de processos e conteúdos. O desafio dessas instituições é garantir que a transição da pedagogia e da estrutura curricular para as plataformas ocorra de maneira mais eficaz, aliando bom senso e tecnologia. Especialistas brasileiros, espanhóis e portugueses debateram o assunto nesta segunda-feira, 23 de novembro, durante colóquio na UnB sobre educação superior online.
“Às vezes, a tecnologia passa na frente e as pessoas esquecem que o objetivo da educação a distância é o ensino, no qual docentes e alunos são os principais atores”, reforça Hermano Duarte, professor da Universidade Aberta de Portugal. A instituição existe há 21 anos e atualmente tem 10 mil estudantes distribuídos em 15 licenciaturas e 19 mestrados. A pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina Maria Luiza Belloni concorda. “As inovações precisam ser usadas como objeto de estudo e como ferramenta de expressão da cidadania, sem abandonar a crítica e a criatividade”, destaca.
 
A Universidad Nacional de Educación a Distancia da Espanha (Uned) já formou mais de 40 mil profissionais na modalidade a distância. O mundo digital proporcionou facilidades para professores e alunos que antigamente se correspondiam por carta. No entanto, eles ainda estudam em um ambiente hostil, como afirma Jésus Ignácio Cordero, que leciona na Uned há 25 anos. Segundo ele, boa parte do material didático consiste em impressos, as competências são pouco desenvolvidas durante os cursos e as expectativas dos estudantes se confrontam com a realidade do sistema. “A taxa de evasão é alta. Como utilizamos uma plataforma própria, corremos o risco de ficar isolados das inovações tecnológicas”, podera Cordero.
 
ADAPTAÇÃO - Para Carmenísia Gomes, da Faculdade de Educação da UnB, o segredo está na maneira de se apropriar dos novos meios. “Não dá pra separar as duas formas. O professor revisa sua prática presencial quando começa a atuar no ambiente virtual”, afirma. O paradigma da moderna maneira de aprender, antes percebida com uma qualidade inferior, está mudando. Na Espanha, os anúncios de emprego no jornal que desejam formação a distância estão mais frequentes. Em Portugal, 60% da nota dos mestrandos de Hermano é vêm da participação, enquanto o restante equivale ao trabalho final.
 
No encontro também ficou clara a necessidade de institucionalizar o programa da Universidade Aberta do Brasil, articulação que leva o ensino superior público a municípios cuja demanda é alta. Para a professora Maria Luiza, da UFSC, a carga horária e o salário desses professores poderiam ser equivalentes ao do ensino presencial. “Os políticos precisam perceber que essa maneira moderna de educar contribui com a formação em todos os níveis, pois esse profissional estará apto a trabalhar com as novas gerações”, explica.
 
UnB Agência