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Revista de História da Biblioteca NacionalEste pode ser oficialmente o ano da França no Brasil, mas, como o passado revela, a relação dos franceses com essa terra tupiniquim é muito mais profunda do que a maioria dos livros de história mostra. A 49a edição da Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN), nas bancas em outubro, conta em quatro artigos, no dossiê Invasões francesas, os investimentos do interesse francês em se estabelecer na colônia portuguesa na América.
A visão estratégica da França em relação ao Brasil chegou ao ponto de se pensar em criar um vice-reinado no Rio de Janeiro, em 1762, de acordo com o projeto de Luis XV (1710-1774). No artigo Segredo de Estado, a professora de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Maria Fernanda Bicalho, lista os esforços franceses para marcar presença na capital colonial portuguesa, entre eles: acobertar corsários – economizando dinheiro, pois enfraquecia as tropas navais inimigas sem gastar para enriquecer a própria –, enviar duas esquadras à colônia portuguesa, colocar três mil homens na Ilha das Cobras e enviar uma mensagem para que a cidade se rendesse. 

O Rio de Janeiro e o Maranhão abrigaram colônias francesas no século XVI: a França Antártica, por doze anos na região da Guanabara, e, depois de expulsos, a França Equinocial, no nordeste. Os artigos Guerra santa na Guanabara, do professor da Universidade Castelo Branco, Luiz Fabiano de Freitas Tavares, e Lírios florescem no Reino do Sol, da professora de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), Beatriz Perrone-Moisés, abordam as tentativas francesas de se instalarem no Brasil.  A relação amistosa com os índios em ambas as ocasiões foi indispensável, segundo os autores. 

O envolvimento dos franceses com o Brasil colônia deixou heranças não só neste lado do Atlântico. O artigo Conquista às avessas do membro da Societé Historique de Lisieux, Jean Leblond, aborda a mistura franco-brasileira, que gerou descendentes como o abade francês Jean Paulmier, aparentemente – já que não há provas definitivas sobre a sua descendência. Opositores chegaram ao ponto de afirmar que o abade usava sua origem como artifício para defender a evangelização de outros povos. No século XVI, muitos índios foram levados da América do Sul para a Europa como troféus. Essomericq pode ter sido o primeiro índio brasileiro a viajar para a França, em 1505. A veracidade de sua história permanece em aberto desde o século XVII.  “A descendência indígena é fácil de ser comprovada hoje em dia. Como o cromossomo Y dos ameríndios possui um marcador específico, seria interessante propor um teste de DNA aos descendentes do abade e aos franceses que têm o sobrenome Brasil”, afirma Jean em seu texto. 

  
A revista – Desde o seu lançamento em 2005, a Revista de História da Biblioteca Nacional oferece informação qualificada em artigos e matérias produzidos pelos mais importantes historiadores brasileiros. A publicação conta com a chancela e o rico acervo iconográfico da Biblioteca Nacional. Sua linguagem e apresentação agradável conquistaram um público abrangente independentemente de formação educacional ou área de atuação profissional. Única em seu segmento editorial especializada em História do Brasil, a RHBN é distribuída mensalmente nas bancas de todo o país e pode ser assinada. O conteúdo integral de todas as edições da revista também pode ser acessado no endereço http://www.revistade historia.com.br.