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O Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília (UnB) lançou nesta quarta-feira, 16 de dezembro, o primeiro número da Revista Brasileira de Linguística Antropológica. A revista, que será produzida por estudantes indígenas e pesquisadores, tem por objetivo abrir espaço para a interface entre Linguística, Antropologia, Arqueologia e outras áreas do conhecimento.
O lançamento foi realizado durante o simpósio Amazônia: diversidade biológica, linguística e cultural, organizado pela UnB em parceria com o Instituit de Recherche pour le Développement (IRD) da França.

Resultado do empenho do professor Aryon Rodrigues, coordenador do laboratório, e de sua equipe, a revista que será semestral. Ela vai reunir conteúdo científico sobre os saberes dos povos indígenas. “Fazia falta no Brasil uma referência que mostrasse o conhecimento desses homens. Por isso a Lingüística Antropológica foi criada”, reforçou Rodrigues.
 
A primeira edição traz como tema a cultura do povo Tupi e cinco artigos relacionados. Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, co-editora da publicação, explica que o material aprofundará estudos sobre os povos nativos das Américas. “É um meio para se mostrar como a experiência milenar dos indígenas pode complementar o conhecimento adquirido na academia”, disse Suelly.
 
Para garantir essa meta, as próximas edições da revista serão de responsabilidade de estudantes indígenas. José Guajajara é um deles, tem 50 anos e é mestrando em Linguística. Para ele, a revista é um modelo e uma oportunidade importante para os alunos. “Ela será um registro da nossa cultura. Uma forma de os diversos povos escreverem sobre suas etnias e conhecimentos”, disse Guajajara.
 
REGISTRO - Durante o evento desta quarta, também foi lançado o livro Floresta Úmida, de autoria do professor Henri Puig, da Universidade Paul Sabatier da França. O livro é uma síntese de 40 anos de trabalho de Puing em florestas tropicais do mundo inteiro, com destaque para a Floresta Amazônica. Puing dividiu a obra em cinco capítulos, onde apresenta informações sobre origem, fatores ambientais, biologia e morfologia, estruturas espaciais e temporais que ajudam a compreender a transformação da floresta e que podem colaborar para a sua preservação.
 
Do lado de fora do simpósio, a exposição fotográfica A roça e seus caminhos trouxe registros da cultura de comunidades do Rio Negro. Laure Emperaire, botânica do IRD, mostrou em dados como territórios demarcados, características de agricultura e grupos étnicos representam a diversidade amazônica.
Itinerante, a exposição passa por comunidades do Rio Negro. “Não é apenas a diversidade biológica que faz a Amazônia, mas também a humana e a de sua cultura”, ressaltou Laure. Para ela, o simpósio foi a chance de trocar informações e unir as ciências biológicas e humanas.
 
UnB Agência