No próximo dia 2, a cidade de Itu, no interior paulista, comemora seus 400 anos. Entre os diversos eventos e festividades que marcarão a data, um ganha destaque: a reabertura do Museu Republicano Convenção de Itu, ligado ao Museu Paulista (MP) da USP, e um dos símbolos do pólo histórico e turístico que se tornou o município.
O museu, voltado para a temática da organização da República no país, e localizado em um sobrado onde foi realizada a famosa Convenção Republicana em 1873, havia sido fechado em 2007 para consertos no telhado. Nas obras, foram detectados outros problemas estruturais que demandavam maior atenção com o edifício, construído com paredes de taipa de pilão na década de 1830.
Assim, até o início de 2010 foram terminadas as obras no telhado, com mais uma intervenção para evitar vazamentos, e foi concluída a primeira etapa de um projeto amplo de recuperação, iniciado pela azulejaria. Os painéis, que contam em azulejos a história de Itu, demandavam um processo complexo de restauração, que foi empreendido por uma empresa especializada: o estúdio de Antonio Luis Sarasá, contratado com apoio da Reitoria e da Coordenadoria do Espaço Físico (Coesf) da USP. Cada azulejo – alguns já estavam se desprendendo – foi cuidadosamente retirado, limpo, restaurado e recolocado com uma atenção especial à sequência correta.
A reabertura acontece antes ainda da conclusão definitiva das obras de restauro; o objetivo foi aproveitar o gancho do aniversário da cidade. “O museu tem um peso muito grande no turismo da região, e não poderíamos ficar com as portas fechadas durante estas festividades”, ressalta a professora Cecilia Helena Lorenzini de Salles Oliveira, diretora do Museu Paulista (MP) da USP. O Museu Republicano, inclusive, figura na lista de uma votação organizada em Itu para eleição do símbolo da cidade.
De Casa a Museu: a Formação do Museu Republicano (1923–1945) é o título da exposição a ser inaugurada na reabertura, e que aborda o processo de criação do Museu Republicano no sobrado que pertenceu à família do senhor-de-engenho Carlos Vasconcelos Almeida Prado. A mostra reúne objetos, mobiliário, pinturas e retratos, que, juntamente com os painéis de azulejos, registram a memória da instituição e da cidade.
Também no dia 2 será feito o lançamento de um boletim temático da biblioteca do Museu Republicano, Itu e as cidades do Vale Médio Tietê, que trata da história de Itu e da região.
O projeto completo de restauração, que está em fase de elaboração e deve ficar pronto no final do ano, inclui a recuperação de janelas, parte frontal e paredes, além da adequação do espaço para pessoas com deficiência. Para isto, está prevista a construção de um anexo, já que, como explica a diretora do Museu Paulista, o prédio do século XIX não permite a instalação de elevadores e adaptações do gênero. “A ideia é entregar o museu funcionando para o público, a despeito de sabermos que ainda temos um elenco de reformas por fazer”.
Museu: história, pesquisa e educação
Principalmente após a Convenção Republicana, em 1873 – a célebre reunião de políticos em torno da organização do Partido Republicano Paulista – Itu acabou se tornou um ponto de referência na configuração da campanha republicana em São Paulo. Muitos dos políticos presentes à Convenção acabaram adquirindo importância em âmbito nacional.
A maior parte dos acervos do museu, localizado no sobrado onde foi realizada a reunião, cobre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, e é constituída por doações das famílias de alguns dos primeiros presidentes da república: os paulistas Prudente de Moraes, Washington Luís, e Campos Sales.
A Biblioteca Edgar Carone, adquirida em 2005 junto à família do historiador e professor da USP, morto em 2003, traz uma coleção especial de obras sobre este período inicial da República. Como descreve a professora Cecília, “obras raras, textos importantes para o conhecimento do Brasil desta época, e também voltadas para os movimentos sociais e a constituição do movimento operário no país.”
Segundo Cecilia, as pesquisas realizadas a partir desta biblioteca e do acervo do museu como um todo, com seus objetos, documentos e iconografia, abrangem uma grande gama de temas, além das questões do desenvolvimento da República. De estudos sobre o período colonial brasileiro e particularmente sobre a história daquela região – que ficou conhecida como quadrilátero do açúcar no século XVIII, e posteriormente desenvolveu a cafeicultura; até o início do século XX, com o desenvolvimento industrial do estado, como também trabalhos sobre a cultura regional.
“Recentemente os acervos foram mobilizados para trabalhos sobre os cem anos da imigração japonesa, já que as primeiras famílias do Japão que chegaram ao Brasil se instalaram em Itu”, conta a diretora.
O museu inclui ainda outro sobrado, a Casa da USP – que sedia parte dos laboratórios de conservação dos acervos –, e também um edifício maior, conhecido como Casa do Barão, que abriga o Centro de Estudos do Museu Republicano. “A Casa do Barão também está em obras, sendo recompostos o telhado e instalações elétricas. A ideia para 2010 é que o Centro de Estudos concentre todos os acervos, receba pesquisadores e toda a área administrativa [que atualmente se situam no museu], e tenha mais espaço para que a visitação seja feita paralelamente ao desenvolvimento das obras de restauração.”
A professora destaca também o aprendizado informal propiciado pelo museu, através de visitações, publicações e cursos de difusão, bem como do trabalho de recapacitação de professores e atividades com as escolas.
Para ela, o Museu Republicano não é só complementar ao Paulista (o popularmente conhecido Museu do Ipiranga), mas uma extensão dele. “Itu é uma estância turística que possui um patrimônio histórico bastante significativo, e ao lado disso existe toda uma preocupação em fazer com que este prédio, desde a origem do museu ligado ao Museu Paulista e que, portanto, começou a fazer parte da USP em 1963, seja uma forma da Universidade ter um posto avançado no interior, e a partir daí divulgar suas atividades. E, principalmente, desenvolver pesquisas inovadoras na área de história e cultura material.”
Serviço
Museu Republicano Convenção de Itu fica aberto à visitação gratuita do público a partir do dia 3, de terça-feira a domingo, das 10 às 16 horas. O endereço é Rua Barão de Itaim, 67, Itu. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 4023-0240.
Assessoria de Imprensa da USP



