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EclipseUniversidade de Brasília - Uma parte da Terra terá o privilégio de vivenciar um raro fenômeno nesta quarta-feira, 22 de julho. À partir das 06h23 na Índia (21h55 de terça-feira, no horário de Brasília), a Lua ficará em frente ao sol, mergulhando na escuridão as populações do Butão, Índia, Nepal, centro da China e ilhas do Pacífico. Será o eclipse total solar com a maior duração no século XXI.
Durante seis minutos e 43 segundos o Sol ficará completamente bloqueado pelo satélite natural. O recorde só será quebrado no próximo século, em 2132. O professor José Leonardo Ferreira, coordenador do Observatório Astronômico da Universidade de Brasília, explica que o fenômeno durará mais tempo por que a lua estará muito próxima da terra. “Isso faz com que a umbra, projeção mais forte da sombra, cubra parte da superfície terrestre durante mais tempo”, detalha.
 
“Se a lua está mais próxima da Terra, ela está ocultando mais área do céu e consequentemente do sol”, emenda o astrofísico do Observatório Nacional, Carlos Henrique Veiga. A escuridão deve se alongar em uma zona pouco habitada do Oceano Pacífico. Na Índia, vai durar de três a quatro minutos e, em Xangai, cerca de cinco minutos. “A latitude das localidades é determinante para que o eclipse seja visto por mais ou menos tempo”, diz Veiga.
 
A ausência de luz não dura mais que 7 minutos e 40 segundos nos eclipses solares. A cada mil anos, ocorrem menos que 10 eventos do tipo. O último eclipse total, em agosto de 2008, durou dois minutos e 27 segundos. O professor José Leonardo Ferreira destaca que o fenômeno é importante, porque os astrônomos podem visualizar e estudar a coroa solar a olho nu. “Além disso, a coroa é muito bonita, parece um véu de noiva”, completa.
 
MITOS - Eclipses solares totais de curtas durações não são raros, diz José Leonardo. “No entanto, são assustadores. De repente, tudo fica escuro. As pessoas veem o céu estrelado. O galo canta, sentimos um ventinho meio estranho”, conta o professor, que presenciou um eclipse, em 1994, em Foz do Iguaçu.
 
Para muitos povos, o fenômeno explica mitologias e superstições, bons e maus presságios. “Na mitologia solar, o deus criador morre e renasce. Essa morte e renascimento é uma metáfora da morte e do renascimento do Cosmo, e a vida humana está regida por todos esses ciclos”, explica José Jorge de Carvalho, professor do Departamento de Antropologia da UnB. 
 
Os maias, astecas, babilônios e chineses tinham referência mítica no ciclo solar. No calendário desses povos, os eclipses significavam perigo porque nesses dias as divindades "desapareciam", dando espaço para forças ocultas e destrutivas do Cosmo.

Kennia Rodrigues - Da Secretaria de Comunicação da UnB