Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Large Hadron ColliderO Large Hadron Collider (LHC), maior acelerador de partículas do mundo, construído pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern) na fronteira entre Suíça e França, após quase duas décadas de planejamento foi ligado em 10 de setembro de 2008. A primeira leva de prótons se deslocou bem inicialmente, com velocidade próxima à da luz pela estrutura circular de 27 quilômetros, a cerca de 100 metros abaixo da superfície.
Mas uma pane elétrica em uma pequena peça entre dois magnetos criou uma ruptura nove dias depois, em acidente que fez com que o maior e mais complexo experimento científico parasse de funcionar.

Na conferência “O projeto e a física do LHC”, realizada nesta quarta-feira (15/7) durante a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Manaus, o físico Alberto Santoro, do Instituto de Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ressaltou que o LHC está pronto para funcionar novamente.

Segundo ele, o “grande colisor de hádrons” deve voltar a operar em setembro, mas, apesar de seus experimentos científicos contarem com a importante contribuição de brasileiros, essa atuação poderia ser maior. “A participação brasileira no LHC é razoável, mas está longe da ideal”, disse à Agência FAPESP.

“Hoje, temos 77 pesquisadores trabalhando em parceria no LHC, entre professores e estudantes, de um total de cerca de 8 mil cientistas. Na área de arquitetura de processamento de dados em grid (grade) há esforços substanciais, como o Sprace, em São Paulo, mas a participação é muito baixa em áreas como a fabricação de equipamentos para o LHC”, disse.

O Centro Regional de Análise de São Paulo (Sprace), localizado no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e que reúne profissionais de várias instituições de ensino e pesquisa do país no estudo da física de altas energias, tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio a Pesquisa – Projeto Temático.

A expectativa é que o LHC ajude a responder algumas das principais questões da ciência ao investigar as partículas mais elementares da matéria e replicar fenômenos que ocorreram durante o Big Bang, a explosão que teria dado origem ao Universo há 13,7 bilhões de anos.

O LHC acelera prótons a até 7 trilhões de elétrons-volt (TeV). A ideia é que o choque entre os prótons resulte em uma energia de 14 TeV. O colisor conta com 1,8 mil magnetos supercondutores e 7 mil quilômetros de fios supercondutores, de modo que os prótons possam percorrer dezenas de quilômetros a 99,9% da velocidade da luz e se choquem 40 milhões de vezes por segundo.

Os quatro experimentos do LHC são: Atlas (A Toroidal LHC Apparatus), CMS (Compact Muon Solenoid), Alice (A Large Ion Collider Experiment) e LHCb (LHC Beauty). Segundo Santoro, que é coordenador do grupo da Uerj que participa do experimento CMS, há um vasto programa de física distribuído por esses quatro detectores, que têm instrumentação, metodologias de medidas diferentes, softwares próprios e propósitos distintos.

“O Atlas e o CMS são dois detectores de propósito geral, com um programa de física que, em princípio, abrange quase todos os tópicos da física de partículas, dando ênfase à procura do Higgs”, explica. Proposta pelo físico escocês Peter Higgs em 1964, o bóson de Higgs é uma partícula hipotética que, se comprovada sua existência, poderá ajudar a explicar a massa de todas as outras partículas elementares.

Santoro explica que o CMS, que tem 21 metros de comprimento, 15 metros de diâmetro, 15 metros de altura e pesa 12 mil toneladas, conta com a participação de 3,6 mil cientistas e engenheiros de 183 universidades e institutos de pesquisa de 38 países.

O Alice irá estudar dois tipos de partículas elementares: os quarks (partículas de matéria) e os glúons (partículas que carregam força). Está direcionado para trabalhar com íons pesados, enquanto o LHCb, por sua vez, é dedicado ao estudo da assimetria da matéria e da antimatéria distribuída no universo depois do Big Bang e toda a física que envolve o quark b.

“Os experimentos do LHC determinarão o futuro caminho a ser seguido pela física de altas energias”, disse Santoro.

Agência FAPESP