Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
Novo cateter reduz riscos em cirurgia no coraçãoUm cateter desenvolvido por um pesquisador da Universidade de Brasília pode tornar mais seguros os procedimentos cirúrgicos feitos para minimizar ou cessar arritmias cardíacas, a ablação por radiofrequência. O equipamento foi desenvolvido por Rui Alves de Sousa durante mestrado em Engenharia Elétrica. “A intenção é evitar a morte do paciente devido a uma complicação chamada de fístula átrio-esofágica, que pode ocorrer durante esse tipo de procedimento”, diz o pesquisador.
Segundo ele, a fístula ocorre quando, durante a ablação, a temperatura utilizada para destruir a área do coração onde ocorre a arritmia fica alta demais e acaba eliminando mais tecido que o necessário. “Com isso, abre-se uma comunicação entre o átrio esquerdo e o esôfago. Assim, o sangue bombeado no coração acaba indo parar no estômago do paciente”, ressalta Rui Alves. O problema pode levar à morte súbita no pós-operatório.
 
Para evitar a complicação quase sempre letal, Rui desenvolveu um cateter acessório, para ser utilizado durante o procedimento de ablação por RF. “Enquanto o cateter da ablação é inserido por uma veia da perna do paciente até chegar ao coração, o outro é posicionado no esôfago”, explica o professor Ícaro dos Santos, orientador da dissertação intitulada Cateter esofágico para medição de temperatura durante procedimento de ablação cardíaca por radiofreqüência.
 
FUNCIONAMENTO – Com o equipamento criado por Rui, ao mesmo tempo em que é realizada a ablação, a temperatura do esôfago vai sendo medida por cinco termistores (termômetros) conectados no cateter. “Com isso, evita-se que a temperatura fique alta demais e cause a fístula”, afirma o docente. O cateter esofágico permanece todo o tempo ligado a um computador, que informa ao cirurgião as variações de temperatura. “Assim, o médico fica sabendo a hora de interromper o procedimento”, complementa Rui.
 
De acordo com o pesquisador, apesar de a ablação ser um aquecimento controlado, atualmente a temperatura entre as estruturas não pode ser medida. “O cirurgião tem que estimar a temperatura, e se ela ultrapassar 50° C, ocorre a fístula”, observa. Rui relata que, se os termistores do cateter esofágico marcarem 40° C, significa que a temperatura entre as duas estruturas está em 50° C. “Então, o médico sabe que está na hora de parar”.
 
O cateter desenvolvido por Rui Alves foi baseado nos cateteres esofágicos existentes hoje. A diferença está no número de termistores. “Os atuais, em geral, têm apenas um termistor, cobrindo uma área muito pequena. No que desenvolvemos há cinco termistores, que cobrem toda a área de contato entre o átrio esquerdo e o esôfago”, detalha o engenheiro.
 
COMERCIALIZAÇÃO – O cateter foi testado apenas em laboratório, mas, segundo o professor Ícaro dos Santos, a intenção é produzi-lo em escala comercial. “Temos a ideia de buscar financiamento junto à Finep e ao CNPq, e a empresas que queiram explorar comercialmente esse dispositivo”, diz. Rui garante que a adição do cateter esofágico de cinco termistores na ablação por radiofrequência não significaria uma elevação significativa no custo do procedimento.
 

 Ablação por radiofrequência (RF)

A ablação por RF é o procedimento cirúrgico escolhido para minimizar ou cessar arritmias cardíacas por ser pouco invasivo. Nesses casos, o paciente não precisa expor o coração, como em uma cirurgia. É um procedimento rápido, que dura de 15 a 30 minutos. Nele, o cateter é inserido em uma veia da perna (a femural) e conduzido até o coração. O objetivo é aquecer a região do órgão, com uma freqüência baixa, em torno de 500 kHz, atingindo temperaturas que levem à coagulação e morte do tecido onde ocorre a arritmia.

UnB Agência