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Aedes aegyptiUniversidade Estadual do Norte Fluminense - Pesquisadores da Uenf estão mostrando que um resíduo da indústria de alimentos pode se transformar num grande aliado no combate à dengue. A pesquisa — que embasou a dissertação de mestrado do biólogo Raphael Cardoso Rodrigues pelo Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal — demonstrou que o xarope que sobra do processo de desidratação osmótica do abacaxi pode ser utilizado no cultivo da bactéria entomopatogênica Bacillus thuringiensis var. israelensis (Bti), matéria-prima para a produção de bioinseticidas.
Orientado pelo professor Pedro Amorim Berbert e pela professora Marília Amorim Berbert de Molina, a dissertação foi defendida na última segunda-feira, 16/02.  É a primeira vez que pesquisadores testam este tipo de resíduo na produção de bioinseticidas contra a dengue. Outras alternativas de aproveitamento do xarope residual têm sido o seu emprego em processos fermentativos para a produção de vinagres e bebidas alcoólicas. 
 
— Os resultados obtidos até agora mostram que o xarope residual da desidratação osmótica do abacaxi tem potencial para ser usado no cultivo de Bti. Os valores da atividade larvicida foram comparáveis aos melhores resultados citados na literatura para formulações de bioinseticidas com a bactéria. Mas ainda é possível melhorar esses níveis com a otimização de outros parâmetros de processo — diz Raphael, que antes do mestrado se formou em Licenciatura em Biologia pela Uenf.
 
Segundo ele, a Bti produz toxinas com efeito altamente letal sobre larvas de insetos vetores de doenças, como o Aedes aegypti (vetor da dengue) e o Anopheles SP (transmissor da malária). A ação das toxinas de Bti começa quando a larva do inseto as ingere. Como consequência, ocorrem danos irreversíveis em seu intestino, culminando com a morte do inseto em poucas horas. 
 
— A grande vantagem da Bti é que ela não causa danos a outros organismos, somente à larva do mosquito. No mercado mundial de bioinseticidas, em 90% dos casos é usada a Bti — diz.
 
Desidratação osmótica — De acordo com Raphael, a desidratação osmótica é uma técnica capaz de conservar os alimentos e ainda agregar maior valor aos produtos. Frutas que passam por este processo têm sabor e qualidade nutricional superiores àquelas submetidas à desidratação feita unicamente com ar aquecido. A técnica é baseada na remoção parcial de água através da imersão da fruta em soluções concentradas de açúcares, sob condições controladas de temperatura, tempo e agitação.
 
— O principal entrave para a aplicação desse processo em escala industrial é justamente a dificuldade de estabelecer uma tecnologia que não gere resíduos e sim co-produtos. Além de inviabilizar o processo em termos econômicos, o descarte do xarope no ambiente tem impacto ambiental bastante negativo — afirma Raphael.
 
A pesquisa envolveu laboratórios de dois Centros da Uenf: o Laboratório de Engenharia Agrícola (Leag) do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA) e o Laboratório de Biotecnologia (LBT) do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB).

Assessoria de Comunicação Social UENF