O Instituto de Computação da UFF está desenvolvendo o protótipo de um equipamento de assistência domiciliar remota, que permitirá que pacientes com doenças crônicas, e principalmente idosos, sejam monitorados e assistidos permanentemente em suas próprias residências. No mundo todo estão em andamento muitas pesquisas nesse sentido, em razão do acelerado crescimento da população idosa, que representa um grande desafio para os sistemas de saúde, mas, no Brasil, ainda não existem modelos prontos.
O protótipo, que está sendo desenvolvido pela equipe do professor Orlando Loques, consta de sensores sem fio e de equipamentos que o usuário pode “vestir” ou “plugar” e que permitem o seu monitoramento contínuo, coletando tanto dados fisiológicos de pressão arterial, batimentos cardíacos, peso, taxas de oxigênio no sangue, como do ambiente e das atividades realizadas e da intensidade dos movimentos. Tudo isso está relacionado ao seu diagnóstico e pode incluir avisos sobre horário de medicamentos ou terapias.
Esses sensores enviam as informações automaticamente por rádio à que está sendo chamada de Central Residencial de Saúde que, por sua vez, identifica quantas vezes o usuário acordou à noite, quantas foi ao banheiro, como se comportou a pressão ao longo do dia ou em quais atividades ela aumentou ou diminuiu. Algumas informações podem até resultar em uma ligação automática para um médico especialista ou mesmo incentivar a pessoa a tomar um determinado medicamento.
Todas essas informações da Central Residencial são transmitidas por banda larga à Central de Supervisão Médica, que pode intervir em situações de emergência, dando instruções ou acionando um serviço de pronto socorro ou algum familiar.
Há dois anos, a equipe do professor Loques trabalha nesse projeto, que é financiado pela Faperj e já foi submetido ao Comitê de Ética da universidade. Além da equipe de alunos e professores do Instituto de Computação, o projeto tem apoio de uma equipe médica, que identifica os parâmetros a serem utilizados e as ações realizadas pelos pacientes, além da própria medicação necessária ao tratamento, formando tudo isso um plano de cuidados.
Segundo o professor Loques, o foco de todo esse telemonitoramento é o aumento da qualidade de vida, tanto dos pacientes como dos familiares, aumentando a eficiência do atendimento médico e reduzindo os custos associados à internação hospitalar. Tudo isso está sendo possível, diz ele, com o avanço da chamada computação ubíqua, baseada em computadores minúsculos alojados em sensores e atuadores, que tanto podem estar no ambiente como no corpo das pessoas, e na comunicação sem fio que, associados, estão possibilitando o monitoramento remoto do paciente em domicílio, em sistemas de telessaúde.
Nesse primeiro momento, a pesquisa está concentrada em pacientes hipertensos, mas o objetivo é conseguir viabilizar comercialmente o equipamento, afirma Loques, pois muitos países estão na mesma busca. Em Israel, afirma ele, já existe alguma coisa semelhante e, na Noruega, muita pesquisa está em andamento, sempre com o propósito de ser o mais individualizado possível, nessa associação de dados fisiológicos e ambientais ao comportamento da pessoa monitorada.
Agência UFF de Notícias



