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Viagem ao espaço não é mais ficção científicaO sonho de passar as férias na Lua pode não estar tão longe de ser realizado. Segundo o pesquisador Edgar Choueiri, do Eletric Propulsion & Plama Dynamic Laboratory, da Universidade de Princenton, nos Estados Unidos, tecnologias necessárias para tornar esse sonho realidade já estão sendo desenvolvidas. Em palestra no Instituto de Física da UnB nessa quinta-feira, 26 de novembro, o pesquisador apresentou quais são essas novidades e estimou que, em 15 anos, já será possível viajar à Lua.
“Há 60 anos, as pessoas acreditavam que hoje passaríamos as férias na Lua. Se ainda vamos à praia, a principal razão é que sai muito caro”, explica o pesquisador. O custo de transportar pessoas ou outros materiais ao espaço chega a US$ 100 mil por kilo. No entanto, existem pesquisas para baratear os custos, algumas delas já em fase de teste. “Não se trata mais de ficção científica”, alerta.
 
Para viajar à Lua de forma corriqueira, seriam necessários foguetes de propulsão à plasma, técnica estudada por pesquisadores do Instituto de Física da UnB. Esses foguetes conseguiriam percorrer os 380 mil quilômetros que separam o satélite da Terra em até cinco dias, à velocidade de 12 km/s. Dois tipos de tecnologia são foco de estudos nessa área, o Farad e o Phall. Os estudiosos da UnB já desenvolvem com sucesso motores usando tecnologia Phall. “E foguetes usando tecnologia Farad já estão em fase de teste nos Estados Unidos e devem estar disponíveis em no máximo 15 anos” projeta Choueiri.
 
Para ir a Marte, seria necessário um protótipo mais veloz. O planeta se encontra a 50 milhões de quilômetros da Terra, e uma viagem muito longa seria arriscada. A radiação espacial pode causar doenças graves ao homem, se ele se expor durante muito tempo. Por isso, está em desenvolvimento, também nos Estados Unidos, foguete de propulsão à plasma que utiliza o lítio e motor de fusão termonuclear. Com esse modelo, o plasma produzido é mais quente. A viagem ao planeta vermelho pode durar entre 5 e 6 meses, à velocidade de 50 km/s.
 
ALTERNATIVAS - A possibilidade mais barata de viajar ao espaço é a construção de elevadores até as plataformas na GEO, há 36 mil km de distância da Terra. É onde ficam a maioria satélites artificiais de comunicação e televisão, por exemplo. O elevador, semelhante aos de edifícios, viajaria a 200 km/h e chegaria ao destino em poucos dias.
 
A tecnologia já existe, o que falta é material que possa tornar isso possível. Os cabos precisariam ser de nano fibras de cobre e hoje só é possível tecer poucos milímetros, não os quilômetros necessários. “Nesse caso, é difícil prever quando estará disponível, porque depende de uma descoberta científica. Pode ser amanhã ou em 60 anos”, pondera o professor Edgar Choueiri.
 
O pesquisador de Princeton veio à Brasília a convite do professor do Instituto de Física José Leonardo Ferreira. O professor coordena projeto de pesquisa em propulsão avançada e ressalta a importância de receber visitantes de um das cinco universidades mais importantes do mundo. “Choueiri está nos passando qual é o estágio atual das pesquisas na área e isso enriquece o nosso trabalho aqui”, completa.
 
UnB Agência