Submit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn
PUC RSA PUCRS, em conjunto com a empresa AS Technology, de São José dos Campos, depositou patente sobre o uso de um polímero biodegradável nos processos de regeneração óssea e nervosa: o poliuretano-caprolactona, já usado em válvulas cardíacas e na fabricação de automóveis. Por se tratar de um biomaterial que demora mais para ser absorvido pelo organismo, ele se mostra ideal quando a necessidade está acima de seis meses. Em testes in vitro, o polímero não apresentou citotoxicidade - não causou inflamação nem necrose.
Experimentos feitos com ratos tiveram bons resultados. Os poliuretanos podem sofrer modificações estruturais e possuir características de maior ou menor flexibilidade, facilitando sua aplicação. Os casos beneficiados são de reconstrução da gengiva, regeneração de tecidos e nervos, implantes odontológicos, cicatrizes e queimaduras. Muitas cirurgias que utilizam metais ou titânio têm que ser refeitas para retirar os materiais depois de algum tempo.
 
O trabalho resulta da tese de doutorado da química industrial Vanusca Jahno, defendida no Programa de Pós-Graduação em Medicina e Ciências da Saúde da PUCRS, orientada por Jefferson Braga Silva e coorientada por Rosane Ligabue e Sandra Einloft. Desde o mestrado (em 2003), realizado na Engenharia da UFRGS em parceria com o Grupo de Desenvolvimento em Materiais e Tecnologias Limpas da Faculdade de Química da PUCRS, Vanusca estuda membranas biopoliméricas com aplicação em biomateriais, com potencial para regenerar tecidos ou ossos. Até hoje só existem esses materiais importados. "Como são caros, nem todos têm acesso. Com um produto nacional e redução de custos dos materiais envolvidos, o benefício seria na melhoria da saúde dos brasileiros". A pesquisadora aposta que em menos de 20 anos esses procedimentos serão mais comuns no Brasil. Nos últimos dez anos a área evoluiu muito.
 
Os polímeros são sintetizados no Laboratório de Organometálicos e Resinas (LOR), da Faculdade de Química. Testes in vitro com células-tronco de linhagem odontoblástica (iniciais da dentina) e osteoblásticas (de osso) ocorrem na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo e no Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS (IPB). Os experimentos com animais se dão no Laboratório de Habilidades Médicas e Pesquisa Cirúrgica, da Medicina da Universidade.
 
O Grupo da Faculdade de Química também trabalha com o poli(ácido láctico) e poli(ácido glicólico), produzidos no LOR. Esses estão em fase dos testes in vitro com as células osteoblásticas, odontoblásticas e fibroblásticas e mostraram que têm potencial para área médica. Representantes da empresa entraram em contato com a pesquisadora Vanusca no Congresso Latino-Americano de Órgãos Artificiais e Biomateriais, em Campinas, em 2004. Desde então a AS Technology investe na pesquisa. Durante o evento, Vanusca obteve o prêmio de melhor trabalho na categoria Mestrado.
 
Na PUCRS, várias pessoas estão integradas ao projeto. Além de Vanusca e dos professores Rosane, Sandra (Química) e Braga Silva (Medicina), há as docentes Jeane Dullius (Química) e Denise Machado (Medicina e Instituto de Pesquisas Biomédicas), Tassiani Poltronieri (diplomada em Química Industrial) e Christian Viezzer (biólogo do IPB). Todos participaram como inventores da patente. Há ainda outros pesquisadores desenvolvendo o projeto de polímeros biorreabsorvíveis para área médica, incluindo professores, alunos de iniciação científica e mestrado. Vanusca destaca a importância de diferentes áreas se envolverem no projeto.
 
O Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, participou do processo de depósito de patente, com o contrato de cotitularidade entre a AS Technology e a PUCRS, que estabeleceu os direitos e obrigações de cada parte. A coordenadora Elizabeth Ritter destaca a importância de os pesquisadores se preocuparem em proteger os resultados de seus projetos no caso de haver uma possível aplicação. "Mesmo que o cientista não esteja focado nisso, mas numa pesquisa básica, a aplicação aumenta a relevância social dele e da Universidade".
 
Assessoria de Comunicação Social - PUCRS / ASCOM